Lama ainda causa transtorno em São Caetano do Sul
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2000
Por Andréa Portella 
São Paulo, 14 (AE) - Muita coisa estava igual hoje, dois dias após a enchente, em São Caetano do Sul. No bairro Fundação, a lama ainda causava transtornos aos moradores. Na Vila São José
também havia muito trabalho a ser feito. E permaneciam as críticas à atuação da prefeitura. O aposentado Francisco de Assis Amorim tentava salvar móveis e objetos da casa, atingida pela chuva. Na rua onde mora, na Fundação, o lamaçal era o mesmo observado pela reportagem ontem. "Não acredito que a prefeitura fez tudo o que podia", disse Amorim. "Eles podiam, pelo menos, desentupir os bueiros". Segundo ele, a prefeitura entregou três colchonetes e uma cesta básica para a família. "A gente tá dormindo em dois, num colchão de solteiro", afirmou seu genro, Glauco Cesar Vial. "O prefeito só sabe arrumar pracinha; para enchente ele nunca deu atenção". Por volta do meio-dia, muitas máquinas destinadas à retirada da lama das ruas estavam paradas no bairro. Na Vila São José, parte da limpeza das ruas já havia sido feita. Mas muitos moradores não conseguiram vencer a lama dentro de casa. Mangueiras e máquinas de limpeza a vapor funcionaram na tentativa de salvar mais alguma coisa.
O comerciante Santo Manfrinati, há 28 anos na cidade, lavava seu bar, na Vila São José, havia três dias. Quando a água atingiu 2,2 metros no estabelecimento, a casa dele, perto dali, já estava inundada. Outra casa, que comprara para reformar, veio abaixo. "É tudo incompetente nessa prefeitura", disse. "Depois que fizeram o muro do lado do rio, nunca mais vieram aqui". Omissão - O vereador Horácio Neto (PT) também acusa a prefeitura de omissão com relação às enchentes "O atual prefeito não aplicou nenhum tostão em obras", acusa. "A verba para essa área é praticamente simbólica". De acordo com Neto - que é um dos dois vereadores de oposição -, em dezembro, o prefeito, Luiz Olinto Tortorello (PTB), desviou R$ 11,4 mil dos R$ 776,5 mil orçados para obras de combate às cheias.
A assessoria de Imprensa do prefeito em exercício, Sylvio Torres (PTB), informou que não comentaria o que definiu como "proselitismo político" de Neto.


