Laje ameaça pilares da ponte na BR-116
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Técnicos do Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre (Dnit) estão ancorando, desde ontem, a parte da ponte que caiu na represa Capivari/Cachoeira, na BR-116, para evitar que ela deslize na água e atinja os pilares da parte intacta. Já as obras de contenção do aterro da ponte intacta, que está sendo usada para escoar o tráfego nos dois sentidos, devem começar hoje.
A Federação dos Transportes do Paraná (Fetranspar) e os sindicatos da categoria decidiram ontem que vão pressionar o governo federal a agilizar as obras na ponte e a aplicar o dinheiro arrecadado com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na recuperação de estradas. Caso contrário, eles promentem uma paralisação nacional dos caminhoneiros. A Cide é um imposto embutido no preço do combustível.
''Hoje estamos preparando a laje para tracioná-la'', explicou o coordenador do Dnit no Paraná, Rosalvo Gizzi, sem mencionar o perigo da laje bater nos pilares intactos. Gizzi esteve ontem no local, acompanhando o início das obras. Mais tarde, questionado sobre a possibilidade de a laje atingir os pilares, Gizzi admitiu que os trabalhos têm a função de precaver mais esse acidente, porém garantiu que ''a possibilidade é mínima.'' Depois de ancorada, a laje deve ser detonada em pequenas explosões, que não vão comprometer a estrutura do restante da ponte, garantiu o coordenador do Dnit. Porém, o engenheiro civil especializado em estruturas, membro de Centro de Desastres da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mauro Lacerda, lembrou que o aterro está frágil e qualquer explosão pode danificá-lo ainda mais. ''Ali o ideal é desmanchar'', afirmou.
Quanto ao serviço de contenção do aterro da ponte que está recebendo tráfego, chamado de grampeamento, Gizzi afirmou que deve durar cinco dias. ''Depois vamos esperar mais cinco dias para ver se resolveu mesmo e daí já vamos liberar a ponte para todos os caminhões novamente'', afirmou. No local é possível ver lonas plásticas colocadas no aterro para, segundo Gizzi, conter a umidade.
O engenheiro civil da (UFPR) explicou que o grampeamento é uma solução emergencial, já que o aterro está se movimentando bastante. Para Lacerda, depois que as obras da ponte que ruiu estiverem prontas, deve ser feita uma reforma também na ponte intacta. A ponte destruída deve receber mais dois vãos. Isto é, ela será mais longa em função dos problemas no aterro. E Lacerda defende que o mesmo aconteça com a outra ponte. ''Para mim aquele barranco é cristal. Dos dois lados'', afirmou. Ele destaca que os geólogos da UFPR já detectaram que já houve movimentação até no maciço que sustenta o aterro. Quanto aos plásticos, Lacerda afirmou que é ''uma medida pública interessante, mas sua função é discutível.''
O presidente da Fetranspar, Luiz Trombini, afirmou ontem que os sindicatos e federações da categoria vão exigir que o Dnit apresse as obras e que o dinheiro da Cide seja repassado imediatamente para a manutenção das estradas. ''Queremos mostrar à população que os recursos existem. A Cide foi criada para isso'', afirmou. Caso o governo não atenda às reivindicações das transportadoras e caminhoneiros autônomos, Trombini garante que a categoria vai parar os caminhões em todo o Brasil por mais de um dia.


