Santiago, 16 (AE) - O socialista Ricardo Lagos, da coalizão governista Concertación, foi eleito hoje presidente do Chile. Depois de uma vantagem apertada no primeiro turno, Lagos melhorou o desempenho e conseguiu 51,32% dos votos no segundo turno, contra 48,68%, do adversário Joaquín Lavín. Ricardo Lagos será o primeiro presidente socialista do Chile desde Salvador Allende.
Com 99,8% das urnas apuradas, Lagos teve uma vantagem de 2,6 pontos percentuais sobre seu adversário, mais de cinco vezes a vantagem de 0,44 pontos percentuais que obteve no primeiro turno. Lagos obteve 3,675 milhões de votos e o candidato da Aliança pelo Chile, Joaquín Lavín, 3,486 milhões, segundo dados divulgados pelo Ministério do Interior do Chile. A diferença a favor de Lagos foi de 189 mil votos, mais de 6 vezes a vantagem de 31 mil votos do primeiro turno.
Lagos ganhou em oito das treze regiões (equivalentes a estados) do Chile, incluindo a região metropolitana de Santiago, que concentra o maior número de eleitores. Lavín ganhou em cinco regiões, sendo beneficiado nas áreas mais afastadas, com menor número de eleitores.
O presidente do Chile, Eduardo Frei, ligou para o presidente eleito para felicitá-lo e ressaltou a transparência do processo eleitoral. Frei e Lagos devem tomar café da manhã juntos nesta segunda-feira na casa do presidente eleito, que toma posse em março.
Festa - Depois da divulgação do resultado, o centro de Santiago ficou congestionado de carros, com correligionários de Lagos comemorando a vitória. Ainda hoje o presidente eleito deve falar para as cerca de 10 mil pessoas que se reuniram na Praça da Constituição, em frente ao Hotel Carrera, para onde se transferiu o comitê do candidato vencedor. O Hotel fica perto do Palácio La Moneda, que Lagos ocupará a partir de março.
Segundo analistas políticos, entre o primeiro e o segundo turno houve mudanças principalmente no voto feminino, que havia favorecido Lavín e mudou para Lagos. Também pode ter havido uma transferência para Lagos de parte dos 3% de votos conseguidos no primeiro turno pela candidata do Partido Comunista, Gladys Marín.
Lavín - Logo após a divulgação da segunda totalização, com 87,4% das urnas, o o candidato derrotado da direita, Joaquín Lavín, foi até o Hotel Carrera, no centro de Santiago, para felicitar Lagos pela vitória. Depois, Lavín fez um discurso em seu comitê, no hotel Crowne Plaza, no qual comemorou a grande votação obtida por seu partido, disse estar feliz por seu opositor e esperar que nas próximas eleições a direita possa ter maioria.
Para o analista político e ex-ministro Enrique Corrêa, a direita sai fortalecida desta eleição presidencial para as próximas eleições municipais, em outubro, e para as eleições parlamentares, em 2001. Mas a questão, segundo Corrêa, é se a direita conseguirá manter sua votação expressiva depois de passada a recessão que afetou o Chile até o fim do ano passado. A votação da Concertación foi muito prejudicada pelo crescimento do desemprego, que golpeou a candidatura de Lagos. Mas para este ano está previsto crescimento econômico no país.
Futuro - Durante uma entrevista concedida pela manhã, o candidato da Concertación, Ricardo Lagos, negou que tenha sido beneficiado pelo anúncio da volta do general Pinochet ao país. "Acho que os chilenos vão votar olhando para o futuro e não para o passado", disse Lagos. Algumas pesquisas divulgadas pela imprensa chilena mostram que os chilenos não mudaram o voto por causa da volta do general do país, embora a possível volta de Pinochet tenha sido muito discutida alguns dias antes da eleição.
Lagos tornou-se conhecido como opositor de Pinochet, depois de fazer um discurso na TV contra o general durante a campanha para o plebiscito de 1988. Foi ministro de Educação e Obras Públicas nos primeiros dois governos da Concertación, de Patricio Aylwin e Eduardo Frei.

mockup