Santiago, 16 (AE) - O candidato governista, o socialista Ricardo Lagos, venceu hoje o segundo turno das eleições presidenciais chilenas. Apurados 87,45% dos votos, ele somava 51 31% da votação, enquanto o oposicionista Joaquín Lavín obtinha 48,69%. A diferença entre os dois era, segundo o Ministério do Interior do Chile, de 163 mil votos - muito maior do que a registrada no primeiro turno, que foi de 30 mil votos.
Logo após a divulgação desses resultados, o oposicionista Lavín admitiu a derrota, em entrevista à televisão
e, em seguida, dirigiu-se ao Hotel Carrera, no centro da capital, para onde se mudou o comando de campanha de Lagos, a fim de cumprimentá-lo pela vitória. Naquela altura, a comissão eleitoral chilena já havia apurado 6.380.929 votos de um total de pouco mais de 8 milhões de eleitores inscritos. Coube a Lagos 3.208.329 votos e a Lavín, 3.045.071.
Segundo analistas políticos chilenos, a vitória de Lagos deve-se a uma mudança no voto feminino (favorável a Lavín, no primeiro turno) e à decisão do Partido Comunista de apoiar o candidato de centro-esquerda.
Durante uma entrevista concedida pela manhã, o candidato da coalizão Concertación, Ricardo Lagos, negou que tenha sido beneficiado pelo anúncio da volta do general Pinochet ao país."Acho que os chilenos vão votar olhando para o futuro e não para o passado", disse Lagos. Algumas pesquisas divulgadas pela imprensa chilena mostram que os chilenos não mudaram o voto por causa da volta do general do país, embora a possível volta de Pinochet tenha sido muito discutida alguns dias antes da eleição.
A acirrada disputa no segundo turno das eleições presidenciais no Chile reduziu o número de abstenções. Muitos eleitores que não se interessaram pelo primeiro turno decidiram ir às urnas hoje, com a renhida luta entre os dois candidatos, Ricardo Lagos e Joaquín Lavín. Segundo a polícia chilena, que recebe as justificativas de eleitores que não podem comparecer a suas seções eleitorais, o total de abstenções caiu, embora não tenham sido divulgados números. Cresceu o movimento nas estações de ônibus e aeroportos de chilenos chegando aos locais de votação (o voto de cidadãos no exterior não é permitido). No primeiro turno, de um total de 8,084 milhões de eleitores inscritos, houve 7,055 milhões de votos válidos.
A eleição ocorreu em clima de tranquilidade. Apenas alguns pequenos incidentes ocorreram, como a prisão de cinco pessoas que violavam a lei eleitoral. Faziam propaganda numa das ruas da cidade depois de encerrado o prazo da campanha.

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