Lagos terá de ceder e negociar com a direita Da enviada especial TATIANA BAUTZER
Santiago, 17 (AE) - O governo de Ricardo Lagos, pelo menos nos dois primeiros anos, terá que ceder e negociar com a direita
acredita o cientista político Guillermo Holzmann. A oposição saiu fortalecida com a expressiva votação de Joaquín Lavín, que alcançou 48,68% dos votos.
Segundo o cientista político, Lagos terá que compor um ministério com boa capacidade de negociação com setores da oposição para conseguir aprovar projetos do governo no Senado, onde a direita tem maioria.
Segundo o analista da Universidade do Chile, para a direita o desafio é de aproveitar a votação conseguida por Lavín para fortalecer sua representação nas eleições municipais, em outubro deste ano, e nas eleições parlamentares, em 2001. "Não acho que isso seja automático, porque o voto em Lavín teve um componente bastante pessoal e agora terá que ser revertido para os partidos Renovación Nacional (RN) e União Democrática Independente (UDI)" , diz Holzmann. Lavín usou em sua campanha um discurso distanciado da política tradicional e bastante pessoal, afirmando que não queria governar com partidos, mas com pessoas. "É inegável que Lavín é um fenômeno político", diz o analista.
A votação do candidato foi maior que os percentuais históricos de votação na direita chilena, e agora a expectativa do lado da direita é de que essa maior participação se repita nas eleições para prefeitos e parlamentares.
Depois das eleições de 2001, se conseguir mudar a composição do Senado (a eleição parlamentar mudará a totalidade da Câmara e metade dos senadores), Lagos terá mais liberdade de ação dentro do governo e poderá conseguir algumas reformas constitucionais hoje mais difíceis de serem aprovadas, como a extinção dos senadores biônicos.
Depois da eleição, vem crescendo a expectativa no Chile de unificação de partidos de esquerda e de direita. Analistas políticos acreditam que a RN e a UDI possam se fundir, assim como os partidos que compõem a coalizão governista Concertación (PPD, Partido Socialista e Partido Democrata Cristão). Mas Holzman acredita que esse processo ainda vai demorar algum tempo.
"Acho que é precipitado afirmar que estes partidos vão se fundir a curto prazo, porque há diferenças de cultura política ou problemas ainda não resolvidos do passado", diz o cientista político. Ele acredita, entretanto, que as grandes alianças de um lado e de outro vão continuar, por conta do sistema político binomial que premia as coalizões nas votações parlamentares.





