Lagos defende ampliação de metas para redução de CO2
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Fábio Cavazotti<br>De Florianópolis 
O ex-presidente chileno Ricardo Lagos defendeu ontem que os países em desenvolvimento devem estabelecer metas para reduzir as emissões de gás carbônico até 2012. Lagos participou da abertura do Fórum Internacional de Energia Renovável e Sustentabilidade, nesta quarta-feira em Florianópolis, como enviado especial sobre mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com ele, até dez anos atrás se aceitava que os países em desenvolvimento deixassem as metas de emissão de gases em segundo plano para focar o crescimento econômico e a melhoria da qualidade de vida de suas populações. Hoje, porém, diante das evidências de que o aquecimento global avança rapidamente, os esforços devem ser partilhados por todos. Isso, na opinião dele, não significa que as metas devem ser iguais para todas as nações.
''Temos que ter propostas distintas para distintos países'', afirmou. Segundo Lagos, os EUA respondem por 30% das emissões de gás carbônico no planeta, a Inglaterra 10% e a Alemanha 7%. No entanto, países em desenvolvimento colaboram com o aquecimento global especialmente pelas queimadas e desmatamento - processos que representam 20% das emissões.
''Os países desenvolvidos devem ter metas maiores, mas a responsabilidade é de todos. O processo de aquecimento não tem fronteiras, pela primeira vez a humanidade tem que pensar globalmente'', disse.
O represente da ONU exemplificou comparando os estágios de desenvolvimento do Haiti e do Chile - considerados o mais pobre e o mais desenvolvidos dos países latino americanos. ''Penso que o Haiti deve fazer apenas o que pode, mas o Chile tem obrigação de fazer um pouco mais''. De acordo com Lagos, um dos grandes entraves ao combate às emissões vem dos EUA, que não aceitam as limitações impostas pelo Protocolo de Kioto.
Ricardo Lagos apresentou uma nova proposta para auxiliar na preservação das florestas alegando que, se já há incentivos financeiros para o plantio de árvores, como ocorre no mercado de créditos de carbono, também se deveria criar um mecanismo para remunerar a manutenção das matas. ''Se há mercado para plantar, por que não se pagar para preservar?'', questionou. A proposta atingiria em cheio o Brasil, que tem algumas das maiores reservas 'verdes' do mundo e voltou a registrar aumento do desmatamento da Amazônia em 2006. O representante da ONU também abordou rapidamente a produção de etanol no Brasil ao afirmar que é consenso mundial a liderança do país na produção de energia a partir da biomassa.
Sustentabilidade
O Fórum Internacional de Energia Renovável e Sustentabilidade - EcoPower Conference - prossegue hoje com diversos painéis sobre produção de energias limpas - eólica, solar e de hidrogênio. Na sexta-feira, dia do encerramento, o evento terá a participação de ganhadores do prêmio Nobel da Paz: Mohan Munasinghe, vice-presidente do Painel de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC); e Mohan Munasinghe, criador do conceito de microcrédito solidário, que já beneficiou 6 milhões de pessoas na Índia. O Fórum é promovido pelo governo do estado de Santa Catarina.
(*) O repórter viajou a convite do evento.


