Vânia Moreira
De Umuarama
Mais de mil moradores de sete bairros de Umuarama sofrem com a poluição provocada pela Zaeli, uma das maiores indústrias de alimentos do Paraná. Os moradores reclamam do mau cheiro e da proliferação de insetos, principalmente pernilongos, provocados pela lagoa de tratamento da empresa, que fica ao lado dos bairros Jardim Alvorada e São Caetano.
Moradores do Jardim Alvorada afirmam ter dores de cabeça e náuseas constantes. ‘‘Algumas pessoas chegam a vomitar quando vêm aqui’’, diz a dona de casa Tereza Cavalieri, 48 anos, que mora no mutirão do Jardim Alvorada, ao lado da lagoa.
Morando na mesma rua, a dona de casa Marineide Alves da Silva Mazza, 32 anos, diz que passa mal quase todos os dias, desde que se mudou para o local, há três meses. ‘‘À noite, os pernilongos não deixam a gente dormir e já estamos intoxicados de tanto passar veneno’’.
Segundo Tereza Cavalieli, os moradores já fizeram vários abaixo-assinados pedindo providências. ‘‘Em época de campanha, todos os candidatos vêm aqui e prometem dar um jeito, mas depois ninguém faz nada’’, reclama. Além do mau cheiro constante e dos pernilongos, a lagoa também contribui para a proliferação de outros tipos de mosquitos, baratas e ratos.
A situação piora em épocas de calor e seca e também quando a empresa desliga os equipamentos que fazem a oxigenação da água. ‘‘Quando as pás voltam a funcionar, não dá para suportar o cheiro. Até moradores de bairros mais distantes reclamam’’, diz Tereza.
A Zaeli construiu o complexo industrial de alimentos no final dos anos 80. Na época, existiam apenas o Parque São Remo e o Parque Danieli nas imediações. Agora, a fábrica está cercada por mais três bairros: o Alvorada, São Caetano e Porto Belo. A indústria beneficia e embala cereais, farinhas, alimentos para animais, fabrica conservas e temperos. Emprega aproximadamente 500 trabalhadores.
Um dos sócios proprietários da Zaeli, Vagner Zago, disse que a empresa foi construída naquele local porque era uma área empresarial pouco habitada. ‘‘Infelizmente a cidade cresceu e agora temos este problema, mas não podemos mudar, nem fechar a empresa’’. Segundo Zago, a Zaeli está fazendo o possível para diminuir os transtornos aos moradores. ‘‘Estamos estudando algumas alternativas e se alguém tiver alguma sugestão para resolver o problema, é bem-vinda’’.
O gerente administrativo Edjaime Assis da Silva disse que a lagoa de tratamento pode até ser desativada se der certo um projeto que está sendo analisado. A Sanepar estuda a possibilidade da Zaeli lançar os despejos industriais na rede de esgotos a ser instalada naquela região. A medida depende de uma análise do grau poluente dos dejetos produzidos pela empresa.
Silva informou ainda que há dois anos a empresa instalou um aerador para oxigenar a água e diminuir o mau cheiro. Também reforçamos o trabalho de limpeza da lagoa e manutenção dos equipamentos’’, informou. De acordo com o gerente, as medidas ajudaram a diminuir os problemas, mas é impossível eliminar totalmente o odor.

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