Lage desaba e mata duas pessoas em Sertanópolis
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 1998
Alexandre Sanches 
Dorico da SilvaExplosãoGenilton Sebastião Filho teve várias partes do corpo atingidas pelo fogoO desabamento de uma estrutura metálica contendo sacas de farinha de trigo no Moinho Globo - Indústria e Comércio Ltda., matou duas pessoas e feriu três ontem, por volta das 15h30 em Sertanópolis (40 quilômetros ao norte de Londrina). João Sorgi Júnior e o consultor técnico Edgard Alves da Silva Filho morreram soterrados quando a lage do escritório onde estavam desabou com o peso das sacas de trigo.
Com o rompimento dos fios de alta tensão, houve explosão e fogo no local. Os ensacadores Valdemar Sebastião Jorge Filho, 27 anos e Adriano Fernandes da Silva, 23 anos, que carregavam um caminhão na hora do acidente, sofreram queimaduras nos braços e no rosto. Genilton Sebastião Jorge Filho sofreu queimadura nos braços, pernas e rosto. Ontem, até às 18h30, a direção do Hospital São Lucas, de Sertanópolis, aguardava uma vaga num hospital em Londrina para transferi-lo.
Foi tudo muito rápido. Só ouvi o estalo da estrutura rompendo e o fogo. Pulei do caminhão e me queimei. Não dá para explicar como tudo aconteceu, contou Adriano, já na enfermaria do hospital. Ele disse que trabalha no Moinho Globo há três anos. Na cama ao lado, Valdemar apenas lamentava o acontecido. Trabalhando há seis anos na empresa, disse nunca ter presenciado algo parecido.
A imprensa não teve acesso à área onde aconteceu o desabamento. Até às 18h30, segundo policiais militares, nenhum policial civil havia estado no local. Em um comunicado oficial divulgado por volta das 17h30 à imprensa, a direção do Moinho Globo lamentou o acidente. Na nota, a empresa informou que apesar dos esforços do Corpo de Bombeiros, Polícia Civil local e médicos, não foi possível salvar a vida dos dois funcionários. Informou ainda que a empresa está prestando todo apoio moral, religioso, financeiro e econômico necessários às famílias dos funcionários atingidos.
Um dos diretores do Sindicato dos Ensacadores de Sertanópolis, identificado apenas por Joel, evitou comentar quais serão as medidas adotadas pela entidade neste episódio. Perguntado sobre questões de segurança da empresa, limitou-se a dizer que todos os ensacadores possuem seguro de vida.
O funcionário do Sindicato, Elson Pedro de Jesus, 17 anos, que estava próximo à plataforma de carregamento na hora do acidente, disse que tudo aconteceu muito rápido. Os ensacadores estavam em cima do caminhão, recebendo as sacas de farinha que desciam da estrutura metálica (sobre eles) por uma esteira. De repente a esteira rompeu, acertando os fios de eletricidade e uma outra estrutura. Corri e quando ví, estava tudo soterrado. Por sorte os funcionários conseguiram pular do caminhão, relatou.


