Lafontaine diz que democracia alemã precisa da CDU Do correspondente REALI JÚNIOR
Paris, 26 (AE) - Oscar Lafontaine, ex- presidente do Partido Social Democrata alemão (SPD) e antigo ministro de Finanças do chanceler Gerhard Schroeder, defendeu na terça-feira, em Paris, a necessidade de a União Democrata Cristã (CDU) superar rapidamente a crise atual provocada pelos escândalos envolvendo o antigo chanceler Helmut Kohl, pois esse partido constitui, a seu ver, "um dos pilares da democracia alemã".
Lafontaine não poupou elogios a seu adversário Kohl, definindo-o como um homem de muitos méritos e um político de grande qualidade. Contudo, reconheceu que Kohl cometeu erros ao não respeitar as leis de seu país, razão pela qual agora paga por eles. Lafontaine, durante muitos anos líder da oposição ao ex-chanceler alemão, considera muito importante que os cidadãos percebam que a lei é igual para todos, até mesmo para os seus principais dirigentes.
Lafontaine preferiu não comentar as informações de que o grupo petrolífero Elf, por ordem do ex-presidente francês François Mitterrand, teria financiado a campanha eleitoral de Kohl. A seu ver, por enquanto, trata-se de uma denúncia anônima de uma pessoa ligada a Mitterrand, não existindo nada de concreto, só muita especulação. Para Lafontaine, Mitterrand como Kohl são homens que têm méritos, mas também cometem faltas. Ele considera fundamentais as alianças que possam reforçar o eixo franco-alemão na Europa, citando exemplos como Giscard DEstaing e Helmut Schmidt no passado e mais recentemente Mitterrand e Kohl, ambas acima das divergências partidárias.
O ex-presidente do SPD está em Paris para o lançamento de seu mais recente livro, "O Coração Bate à Esquerda", constatando uma certa recentragem do atual chanceler, Gerhard Schroeder, que no início de sua administração caminhou para a direita, no plano interno e externo, o que provocou sua saída do governo. Lafontaine revelou que Schroeder "não respeitou o compromisso que deveríamos adotar junto às decisões mais importantes".
Lafontaine confessou também ter enfrentado algumas dificuldades em matéria de concepção política. Ele criticou a tentativa de Schroeder de ter privilegiado uma aproximação maior com a Inglaterra, em detrimento da França, lembrando que em termos de Europa, os britânicos sempre tiveram uma uma posição especial. Nesses últimos tempos, Schroeder parece ter corrigido o tiro e procura privilegiar suas relações com a França.
Tudo isso, segundo Lafontaine, ocorreu depois das derrotas regionais sofridas pela social democracia, obrigando o governo atual a modificar sua posição, mesmo porque a maioria dos alemães não é favorável ao neoliberalismo, onde sempre prevalecem as leis do mercado. Ele cita como decisões negativas de seu colega social democrata as mudanças na área das aposentadorias e outras sobre o mercado de trabalho. Felizmente, nesse últimos tempos ele está corrigindo essa política, considerando positiva a decisão recente de reduzir em 230 bilhões de marcos (US$ 160 bilhões) os impostos nos próximos cinco anos.
Finalmente, ele não descarta a possibilidade de uma volta à vida política no futuro, mas afirma que por enquanto está disposto a cuidar mais de sua família e de seu filho de apenas 3 anos.





