Lafer propõe à CNI criação de fóruns para evitar inflação
Brasília, 26 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, propôs hoje, durante reunião com a diretoria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), um amplo entendimento com o setor privado, através da criação do que ele está denominando de "Fóruns de Competitividade", para evitar a volta da inflação. Esses fóruns, conforme explicou o ministro, reunirão todos os segmentos das diversas cadeias produtivas e funcionarão, a princípio, na estrutura atual do Programa Especial de Exportações (PEE), que congrega 58 setores da economia e é conduzido pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). Lafer disse que os trabalhadores também deverão participar desse tipo de pacto, já que o objetivo final é manter a estabilidade da economia.
O ministro disse que nesses "fóruns de competitividade" serão debatidos todos os problemas de cada elo da cadeia produtiva, para encontrar quais os pontos de estrangulamento da produção. Entre as questões que serão avaliadas está os efeitos da desvalorização cambial nos preços relativos de cada uma das cadeias produtivas. De parte dos trabalhadores, o ministro não detalhou qual seria a contribuição, mas salientou que a "estabilidade interessa a todos".
Durante a reunião com os empresários, Lafer ressaltou, conforme um dos participantes, que esses fóruns nada tem a ver com as câmaras setoriais do passado, onde trabalhadores, empresários e governo se reuniam para pactuar medidas que reduzissem a inflação. A diferença básica, segundo ele, está no fato de que as câmaras visavam resultados de curto prazo que não eram repassados a todo o complexo produtivo, enquanto a nova sistemática prevê efeitos de médio e longo prazos de forma permanente.
A intenção é discutir nesses fóruns uma política industrial vinculada à política de comércio exterior, porque "ambas são faces da mesma moeda", afirmou Celso Lafer. O ministro do Desenvolvimento também acenou com a possibilidade de redução das taxas de juros no médio prazo em função da mudança na política cambial. Observou que a preocupação é permitir o crescimento da economia e manter os níveis de emprego, mas admitiu que na atual conjuntura, o cenário ainda não permite fazer uma avaliação mais precisa. "O ponto básico é que há os interesses do setor privado, e há um tempo econômico que obedece uma lógica. Todos, porém, têm interesse na estabilidade", afirmou.
O presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), disse ao ministro que a reforma tributária é a principal prioridade da indústria para este ano, na medida em que é preciso simplificar e reduzir o número atual de impostos. Apresentou, contudo, uma "agenda de curto prazo para a competitividade", na qual a entidade solicita a ampliação dos prazos de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que hoje é de cerca de 10 dias, para 30 a 60 dias; a ampliação do prazo de isenção do IPI para máquinas e bens de capital que acaba em 30 de junho próximo, e o fim da aplicação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o crédito para exportações.
Os industriais pedem ainda, na "agenda de curto prazo", que o ministro Celso Lafer ajude a facilitar o acesso ao financiamento das exportações, dificultado pelo BNDES. Reclamam, por último, da falta de estabilidade na estrutura tarifária. Segundo a CNI, mesmo que a redução de Imposto de Importação contribua para compensar aumentos de preços, o governo precisa lembrar que a estrutura tarifária é um componente importante da política industrial. Para a entidade, a redução do II, quando não acompanhada de negociação comercial mais abrangente faz o País perder poder de barganha nos foros internacionais.
Bezerra também entregou a Celso Lafer outros dois documentos produzidos pela entidade no ano passado: o "Custo Brasil" e a "Agenda da Indústria". Nesses documentos, a CNI enumera medidas que oneram a produção e quais os projetos que tramitam no Congresso Nacional que afetam diretamente os interesses da indústria, respectivamente.





