Lafer poderá ser o nome de consenso para a OMC. Do correspondente Reali Júnior
Paris, 11 (AE) - O ministro Celso Lafer poderá deixar o Ministério do Desenvolvimento para ser o candidato de consenso à direção da Organização Mundial do Comércio (OMC). Até agora os representantes dos 134 países não conseguiram chegar a um acordo para substituir o italiano Renato Ruggiero que deixou as funções de diretor geral no ultimo dia 30 de abril.
As fortes divergências entre os EUA e a União Européia e mesmo entre os 15 países europeus têm impedido qualquer consenso sobre os dois candidatos que sobraram, o tailandês Supuchai Panitchpakdi e o neozelandês Mike Moore.
A escolha final entre esses dois nomes parece impossível. Até agora são os EUA os que mais se opõem à candidatura tailandesa. Daí a lembrança de um nome novo, o de Lafer, que até há alguns meses atrás ocupava o posto de representante brasileiro junto a OMC, em Genebra. A saída para a crise está sendo negociada atualmente pelos cinco grandes do comércio mundial, em Tóquio: os EUA, Japão, Alemanha, França e Inglaterra.
Todavia, mesmo que eles cheguem a um acordo a decisão terá que ser promulgada pelo conjunto dos países em Genebra e a forte presença do terceiro mundo poderá comprometer o compromisso. A candidatura de Celso Lafer está sendo levantada caso a reunião de Tóquio não alcance resultado positivo. No Ministério de Economia da França confirmava-se o apoio ao candidato neozelandês, mas não se descartava, em caso de impasse, a possibilidade de um acordo sobre uma candidatura de consenso do ministro brasileiro.
Não é de hoje que se fala de uma candidatura brasileira. No inicio, o nome mais comentado era o do atual ministro das Relações Exteriores, Luis Felipe Lampreia, que também ocupou o posto de embaixador junto à OMC antes de sua atual função. A candidatura Lampreia chegou a ser articulada, mas o ministro acabou desistindo diante dos obstáculos, apesar de a França e outros países industrializados terem visto com bons olhos seu nome. É que o objetivo é designar para a direção da OMC um representante de um país emergente, depois do italiano Renato Ruggiero.
Quando se falou no nome de Lampreia, uma das dificuldades seria o fato de o Brasil já ocupar a direção de um organismo internacional, através do embaixador Rubens Ricupero, na UNCTAD. Esse obstáculo parece contornado, o que poderia viabilizar a escolha de Lafer se certos países continuarem vetando um dos dois candidatos.
Por enquanto, permanece o impasse, sendo que fortes críticas têm sido feitas à posição da União Européia que mais uma vez revela uma imagem de profunda divisão na opção por um dos dois nomes. A própria Comissão Européia que nessas ocasiões, através de seu porta voz, Leon Britain, procura indicar o caminho, dessa vez está muda com medo de agravar ainda mais as diferenças. Holanda, Finlândia e Grã- Bretanha apoiam abertamente o candidato tailandês. França, Alemanha e Suécia preferem Mike Moore.
Até agora, nenhum dos dois nomes apresenta consenso. Daí a tentativa britânica de reavivar a candidatura do canadense Roy Mc Laren que havia desistido por falta de apoio político. Se o impasse persistir, a opção por Celso Lafer poderá ser a saída.





