Lafer espera decisão sobre Bombardier-Embraer este mês
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Eliane Azevedo e Monica Ciarelli 
Rio, 11 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, reagiu com irritação hoje a uma pergunta feita por um repórter estrangeiro sobre a contenda entre o Brasil e o Canadá na Organização Mundial de Comércio (OMC), a respeito da venda para o mercado europeu de aviões da Embraer. "A reação da Bombardier é uma luta por um mercado que ela está perdendo", disse o ministro, num tom exaltado, respondendo ao questionamento sobre o crédito concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à Embraer.
"Um bem de longo prazo, como o avião, é exportado com créditos de longo prazo no Brasil, pela Bombardier e por companhias do mundo inteiro", argumentou Lafer.
Na próxima semana, será realizada uma audiência onde serão expostas as alegações das duas empresas. O ministro acredita que até o final de junho a questão já esteja solucionada na OMC.
Ele afirmou que, como o Brasil não faz parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), não está submetido às regras do acordo da entidade, que prevê financiamentos com prazos mais curtos. "O pacote financeiro será consistente com as obrigações internacionais do Brasil, é o que posso dizer e reiterar", disse.
"O que se está discutindo no âmbito da OMC é quais são as características de financiamento aceitáveis para um País como o Brasil, que não é da OCDE, e que seja compatível com as regras internacionais", afirmou.
Para ele, o que está por trás da discussão é a capacidade de uma empresa brasileira avançar no mercado internacional. "A vitória da Embraer, agora, obtendo esse contrato da Crossair, significa a presença de uma companhia brasileira no mercado europeu", afirmou. "É com esse espírito que iremos a todas as negociações internacionais pela frente."


