Brasília, 17 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, disse hoje que o superávit comercial de US$ 11 bilhões constante do acordo firmado pelo governo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), será obtido com crescimento de 10,6% nas exportações em relação ao ano passado, e com uma redução de 21% nas importações com relação ao mesmo período. Durante exposição em sessão conjunta nas comissões de Economia e Indústria e Tributação e Finanças na Câmara dos Deputados, Celso Lafer disse que a mudança no câmbio permitirá um aumento acelerado nas vendas externas, tornando factível a meta de elevar as exportações para US$ 100 bilhões até 2002.
Lafer explicou aos parlamentares que a mudança na política cambial criou espaço para o crescimento das exportações de commodities agrícolas e industriais, como papel e celulose, soja e produtos siderúrgicos, além de frutas, mármore e granito, entre outras mercadorias nacionais. Ressaltou, contudo, que há um desafio a ser enfrentado: aumentar a participação de produtos de maior conteúdo tecnológico na pauta de exportações, para que o processo exportador seja sustentável no longo prazo.
Conforme o ministro do Desenvolvimento, uma política industrial ancorada no fortalecimento das cadeias produtivas, incluindo substituição competitiva de importações, e no comércio exterior, tem papel-chave no apoio às exportações. "Não deve haver dissociação entre a política industrial e política de comércio exterior", disse o ministro. Segundo ele, embora o Brasil jamais vá se tornar uma plataforma de exportações, a exemplo de Cingapura, pelo tamanho do seu mercado interno, poderá atingir escalas de produção que viabilizem exportações significativas.
O ministro também destacou o papel estratégico que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES tem no comércio exterior, como articulador de financiamentos de longo prazo. Nesse sentido, informou que o orçamento do Banco destinado às exportações deste ano está garantido - R$ 3,5 bilhões, na linha Exim. "Este é um esforço máximo frente aos efeitos da desvalorização", esclareceu.
O presidente da Comissão de Economia e Indústria da Câmara, Aloisio Mercadante (PT-SP), disse ao ministro que a meta de obter um superávit comercial de US$ 11 bilhões este ano, com o aumento das exportações para US$ 56,5 bilhões e redução das importações para US$ 45,4 bilhões, dificilmente será alcançada. Com o "encolhimento" do mercao internacional, em função da crise financeira que abalou vários países, o deputado disse que esse resultado deverá ser obtido basicamente com corte nas importações.
Segundo ele, as importações de produtos intermediários são atualmente de US$ 30 bilhões, as de bens de capital de US$ 12 bilhões e as de bens de consumo durável US$ 10 bilhões. "Como o corte deverá recair sobre bens intermediários, significa mais recessão e desemprego",afirmou, na medida em que esses produtos são usados na produção empresarial que acabará sendo reduzida.

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