Lafer critica antecipação da Alca
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de fevereiro de 2001
Agência Estado De Buenos Aires 
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, tentará convencer o governo argentino que a antecipação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) não é apenas uma questão de tempo, mas um assunto muito mais complexo do que isso que envolve questões técnicas. Mais do que uma data, existe uma complexidade de temas que precisa ser enfrentado e não se trata apenas de questões tarifárias, mas de regras e normas técnicas que alguns países, como os Estados Unidos não estão dispostos a incluir nas negociações, disse ontem o ministro, em entrevista a correspondentes brasileiro, em Buenos Aires.
O ministro vai reforçar ainda a posição do Brasil em relação ao tempo de conclusão das negociações da Alca e a sua entrada em vigor, conforme apresentou na reunião de vice-ministros em Lima no final do mês passado. De acordo com essa proposta o Brasil quer que a Alca entre em vigor um ano depois de concluídas as negociações. Um processo de liberalização comercial precisa ser sustentável do ponto de vista macroeconômico e político. É preciso ter percepção de que um acordo atenda aos interesses nacionais, razão pela qual essas discussões são amplas e muito complexas que exigem a sincronização dos tempos, disse o ministro.
O ministro Celso Lafer vai tentar mostrar também que a briga comercial entre o Brasil e o Canadá passou a ser também um exemplo que evidencia a necessidade de aprimorar as negociações técnicas. Para Lafer, o Canadá se precipitou nesse processo e fez uma avaliação absoludamente infundada já que a possibilidade de encontrar a toxina do mal da vaca louca no Brasil é extremamente remoto. Este assunto foi além de uma mera vontade de observar aspectos técnicos que se inseriu em assuntos mais abrangentes lamentou o ministro.
De acordo com ele dizer hoje que você tem vaca louca é como dizer ter peste na Idade Média, o que provoca pavor entre as pessoas.


