Rio, 31 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, afirmou hoje que os leilões de álcool anidro serão suspensos caso fique comprovado que as empresas do setor estão manipulando preços na venda do produto ao governo. "Não temos intenção de manter leilão que possa ser visto como subsídio", afirmou Lafer na cerimônia de lançamento da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
Lafer explicou que o preço de R$ 0,23 ou R$ 0,24 por litro do combustível é "praticável". No último leilão, feito na semana passada, o governo comprou 96,8 milhões de litros do produto ao valor médio de R$ 0,25. A maior parte da compra, 77 milhões de litros, foi vendida por empresas de São Paulo.
O ministro não quis fixar qual o preço que provocaria a suspensão da compra do combustível. "Não vou dar esta resposta porque eu estaria definindo o nível de preços para o mercado", explicou. Na semana que vem, pode haver mais um leilão, de acordo com Lafer. Ele lembrou que os leilões foram adotados porque o setor vive um momento "crítico".
O governo começou a comprar o produto, há um mês, por meio da Petrobrás, para aumentar seus estoques. A meta é adquirir 1 bilhão de litros, suficiente para consumo de um mês. As compras também têm o objetivo de impedir que o preço baixe a níveis prejudiciais para as usinas, na venda para as distribuidoras do combustível, e prejudicasse os produtores, que empregam 1,1 milhão de pessoas.
No entanto, representantes das distribuidoras acusam as usinas de unir-se para formar um cartel por meio da Bolsa Brasileira de álcool (BBA).
Incentivo - No lançamento da Onip, o ministro da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, criticou a falta de incentivo às empresas nacionais nos últimos 10 anos pelo governo federal. Segundo ele, a criação da Onip representou uma "guinada de 180 graus" nesta política. "Tínhamos esquecido da idéia de defesa da indústria nacional", afirmou Bresser.
"A globalização não significa que tenha desaparecido o estado nacional, ou a empresa nacional", lembrou Bresser. No discurso, o ministro da Ciência e Tecnologia afirmou que sua tese não significa a volta do protecionismo. Após a solenidade, o diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, David Zylbersztajn (ANP), lembrou que já há incentivos para as empresas nacionais de equipamentos de petróleo.
Zylbersztajn advertiu que a reserva de mercado para a área de petróleo seria prejudicial por "afastar a competitividade". O diretor da ANP acrescentou que a indústria de petróleo, desde o século passado, é "a mais globalizada do planeta".

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