Lafer ameaça manter IPI caso montadoras elevem preços
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 05 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, informou hoje que o aumento dos preços dos automóveis pode prejudicar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para as montadoras. "Esse aumento de preço não nos parece apropriado quando se discute a redução do IPI", criticou Lafer, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), onde reuniu-se com empresários fluminenses na entrega do Prêmio Firjan de Excelência Empresarial.
Lafer não foi claro sobre a possibildade de o governo suspender a redução do IPI, por causa do aumento, com o argumento de que as negociações com as montadoras ainda são realizadas. Mas afirmou: "O aumento dos preços não nos levará a um resultado satisfatório e conclusivo na questão do IPI".
O ministro lembrou que, por exportar tanto quanto importa, o setor automotivo é um dos mais preparados para enfrentar a desvalorização do real sem necessidade de aumentos.
O ministro afirmou que o Programa de Incentivo às Exportações (Proex) está mantido para financiar as exportações de bens de capital dentro do Mercosul. Segundo ele, por causa da escassez de recursos do Proex, o governo estuda conceder os recursos para exportações para fora do Mercosul, como querem os argentinos.
Durante a tarde, Lafer encontrou-se com empresários das indústrias metal-mecânica, têxtil, naval, da construção civil e da construção pesada. O vice-presidente do Sindicato de Indústrias Mecânicas e de Material Elétrico do Município do Rio de Janeiro, Raul Sanson, afirmou que, no encontro, foi pedido ao ministro a reversão de isenção de impostos para parte dos equipamentos de exploração de petróleo trazidos pelas empresas estrangeiras que venham para o País.
Sanson disse que a medida aumentaria em 20% a capacidade de competição das indústrias nacionais produtoras deste equipamento. "Levamos uma rasteira", disse o empresário, ao criticar a isenção, acertada entre a Agência Nacional de Petróleo (ANP) e a Receita Federal.
O empresário, integrante do movimento Compete, Brasil, também pediu ao ministro que o setor seja ouvido pela ANP, para poder garantir a venda dos equipamentos brasileiros de exploração pelo menos em parte dos investimentos petrolíferos previstos.
Os representantes das empresas de construção queixaram-se ao ministro das dificuldades burocráticas, do excesso de impostos e da falta de investimentos do governo para o setor. O diretor da Firjan João Lagoeiro Barbará, representando a indústria de construção pesada, criticou a instituição do Imposto Verde.
"Ainda que possa reforçar recursos para a construção pesada, o imposto verde não é bem-vindo nesta hora, como mais um imposto onerando a produção", criticou Barbará. Ele classificou de "chocante" o argumento de que o novo tributo seria para beneficiar o PMDB - razão usada pelo senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) para defendê-lo.
Barbará e Sanson afirmaram que Lafer não tinha conhecimento dos problemas apontados pelos empresários. "O ministro tomou conhecimento destes problemas agora", afirmou o diretor da Firjan. "Ele é novo no setor", afirmou Sanson, reconhecendo que o ministro do Desenvolvimento demonstrou "boa vontade" e prometeu ampliar as linhas de financiamento para o setor de metal-mecânica.


