Lafer acredita em superávit de US$ 11 bilhões da balança no ano
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domingo, 14 de março de 1999
Por Marcia Furlan 
São Paulo, 15- O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, afirmou hoje, após almoço com cerca de 80 empresários em São Paulo, que considera possível o governo alcançar o superávit da balança comercial de US$ 11 bilhões neste ano, como prevê o acordo entre o Brasil e o FMI. O ministro prevê que haverá um aumento de 10% nas exportações, e uma expressiva diminuição nas importações. Ele considera que é pequena a parcela de produtos que dependem de insumos importados e que por isso os bens de consumo não serão muito afetados. Na sua opinião, este fato ainda estimulará a produção nacional de certos itens que atualmente vêm do mercado externo.
Lafer informou que não há perspectivas de novas alterações no Imposto de Importação, com exceção apenas para alguns produtos hospitalares considerados importantes que não são produzidos no País. Ele não soube informar de quanto seria uma eventual redução dessas alíquotas.
Durante o encontro realizado no São Paulo Clube, zona central de São Paulo, foi divulgado resultado de uma pesquisa realizada pela consultoria A.T. Kearney com 125 executivos de grandes indústrias e empresas das áreas de siderurgia, automotiva, de manufatura, telecomunicações, energia, bancos, entre outras. Segundo o levantamento, a grande maioria acredita que o dólar irá se estabilizar em R$ 1,75 no período de seis meses. E 63% estão fazendo ajustes nos investimentos planejados para 99, 24% manteve o planejamento e 13% adiaram os investimentos. Além disso a maior parte dos executivos não espera que o Brasil entre novamente em um processo inflacionário.
Para o ministro, estes dados coincidem com as perspectivas desenhadas pelo governo, de que haverá dificuldades no primeiro semestre, com uma recuperação da economia no médio prazo. Ele acrescentou que uma das tarefas importantes do governo é lidar com as percepções. "Uma mudança importante como esta alteração no câmbio gera preocupação e incerteza, mas o que deve ser destacado é a existência de perspectivas e de possibilidades abertas pela mudança cambial." Lafer concluiu que isto vai gerar para o País oportunidades importantes de crescimento e de desenvolvimento, seja pela substituição das importações ou seja pelo incentivo às exportações.


