Lafer acerta com governadores medidas para gerar empregos
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Gecy Belmonte e Mariângela Heredia 
Brasília, 10 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, reuniu-se hoje com os seis governadores que integram o chamado "grupo do desenvolvimento" e, após o encontro, anunciou três decisões na tentativa de gerar empregos: incentivar áreas que se beneficiaram da desvalorização cambial, como agricultura e turismo; analisar recursos orçamentários que ainda possam ser aplicados neste ano; e estruturar um projeto de desenvolvimento para o País, com base nos grandes eixos regionais de desenvolvimento. As duas primeiras têm caráter emergencial, enquanto a última deverá ser implementada no médio e longo prazos.
Segundo Celso Lafer, até o dia 30 deste mês deverá ser realizada uma reunião com os secretários estaduais de planejamento e indústria e comércio para analisar projetos contemplados com recursos orçamentários que possam ser executados ainda neste ano. Em abril, deverá ocorrer um segundo encontro com os seis governadores - Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Santa Catarina, Acre e Tocantins. A idéia é realizar um orçamento participativo para que as necessidades dos estados sejam atendidas de forma mais realista, segundo explicou o governador do Acre, Jorge Viana (PT), durante entrevista coletiva após o encontro.
A reunião com o chamado "grupo do desenvolvimento" contou com a presença do ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, e do ministro da Agricultura, Francisco Turra. O ministro Celso Lafer disse que o momento atual é difícil, especialmente este primeiro semestre. "O segundo semestre, no entanto, será melhor", previu. Lafer disse que, apesar das dificuldades, é preciso ver o que pode ser feito no curto prazo tanto pelo governo federal como pelos Estados. Disse ainda que até o final desta semana enviará uma lista dos principais projetos de investimentos aos governadores, para que estes detectem as oportunidades de negócios que possam ser geradas pelo setor privado.
O governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB), disse que esse projeto de desenvolvimento prevê investimentos globais públicos e privados de R$ 101 bilhões até 2003. O detalhamento do programa, informou, será feito até junho em encontros regionais que serão realizados em todos os Estados. "Trata-se de um grande planejamento estratégico para o País", disse Amin.
O governador da Paraíba, José Maranhão, defendeu a inclusão do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco no programa de eixos regionais de desenvolvimento. "Mais que uma reivindicação de natureza econômica, o projeto é essencial para a sobrevivência da população que vive no semi-árido nordestino"
disse.
Para equacionar os problemas causados pelo desemprego no curto prazo, o ministro Pimenta da Veiga citou a ampliação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o incentivo a projetos de turismo, especialmente no Nordeste. Segundo ele, uma das medidas para tornar o Pronaf mais eficiente será a desburocratização, para que o acesso ao crédito seja facilitado aos pequenos agricultores.
"Isso não depende de mais recursos e sim de uma ação administrativa que envolverá o Banco do Brasil e todos os órgãos do setor público que tiverem participação no programa." O ministro da Agricultura, Francisco Turra, ficou encarregado de coordenar as ações para o fortalecimento do Pronaf.
O governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira (PSDB), disse que a discussão sobre um projeto de desenvolvimento, tendo como base os grandes eixos regionais, foi uma continuação da reunião realizada com o presidente Fernando Henrique Cardoso no dia 26 do mês passado, na granja do Torto. Segundo ele, este projeto, que será estruturado pelo BNDES, é mais amplo do que o Brasil em Ação, porque será constituído com a participação direta de todos os estados.


