Ladrões atacam motoristas na Imigrantes
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sexta-feira, 31 de dezembro de 1999
por Elenita Fogaça 
São Paulo, 31 (AE) - Quem viajou nas primeiras horas de hoje pelo Sistema Anchieta-Imigrantes enfrentou congestionamentos e assaltos. A ida à Baixada Santista durou cerca de sete horas. As filas de carros parados facilitaram a ação dos bandidos. No km 26 da Rodovia dos Imigrantes duas pessoas foram baleadas, ao reagir a um assalto, por volta da 1 hora.
Agnaldo da Silva Carvalho, ocupante de um Escort, levou um tiro na boca e Maria dos Santos Barbosa, que estava num Logus
foi ferida no pescoço. Levados para o Pronto-Socorro de Diadema
os dois passam bem. O pedágio da Anchieta também foi assaltado e os ladrões levaram R$ 500,00. Ocorreram outros furtos e saques
sem registro na polícia.
Por volta de 4h30, a Anchieta e a Imigrantes estavam totalmente paradas. As duas registravam congestionamentos de 10 quilômetros só no trecho até o pedágio, fazendo os motoristas levar cerca de três horas no percurso até as cabines.
Duas horas depois, a Imigrantes apresentou uma melhora. A fila até o pedágio era de apenas 3 quilômetros. A Anchieta exigia paciência. A cada meia hora o pedágio, no km 31, era fechado para aliviar o fluxo no início da serra.
O bancário Edson Josic, de 37 anos, saiu de Santo André às 4 horas, achando que o trânsito estaria livre. "Do jeito que a coisa está, vou levar seis horas até o litoral."
"Faz parte" - Quando o dia clareou, os veranistas ainda mostravam bom humor. "Faz parte da festa", disse o serralheiro David Pereira dos Santos, de 41 anos, que viajava com oito pessoas e um cachorro numa picape F-1000. "Quem atrapalha são os guardas, que impedem o acesso à Imigrantes."
Os namorados Alessandro Alcântara Lima, de 25 anos, e Claudia Galete, de 23, desceram do carro ainda no início do congestionamento, no km 23. "Saímos da Mooca às 3 horas; são 5 e não saímos do lugar", queixou-se Claudia.
Nesse trecho, muitos motoristas desistiram e começaram a trafegar na contramão pelo acostamento até a saída para Santo André. "Não encaro essa fila nem morto, vou tentar outro caminho e, se não conseguir chegar a Santos, volto para casa", desabafou o comerciante Cleber do Nascimento, de 32 anos.
Quando o pedágio fechava, podia-se desligar o carro e esperar por 20 a 30 minutos. Muitos tentavam cortar caminho pelo canteiro, pois, por volta das 7 horas, ninguém mais respeitava o acostamento. Com a abertura dos pedágios, dava para atingir a velocidade de 60 quilômetros por hora entre os km 29 e 31. Um pequeno refresco, antes de nova interdição.
"A maior frustração é você conseguir chegar até o pedágio e ele estar fechado", revelou a vendedora Carolina Viana Chaves, de 21 anos, que saiu de Santo André às 3 horas. Assim como boa parte dos motoristas que estava na estrada, Caroline ainda não dormira. "Em um dos momentos de parada no trânsito não resisti e cochilei."
Mesmo ultrapassar o pedágio, porém, não significava deixar de ficar parado. "Fiquei todo feliz por ter passado pela cabine, mas agora estou com medo de passar a virada do ano aqui", exagerou Rogério Marques, de 21 anos.


