Ladrão preso em SP confessa participação no assalto ao apartamento do ex-governador Marcello Alencar
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Clarissa Thomé 
Rio, 10 (AE) - O ladrão Rui Alberto Júnior, preso em São Paulo na segunda-feira de carnaval acusado de assaltar residências de políticos, confessou ter participado do roubo no apartamento do ex-governador do Rio Marcello Alencar. Alberto Júnior fez a declaração ao titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Romem Vieira, durante sua transferência para a capital fluminense, hoje à tarde. "Viemos sentados lado a lado no avião e ele confirmou o crime", disse Vieira, que também escoltou Jaime Branco, preso com Alberto Júnior. Os dois fazem parte da quadrilha do assaltante Maurício Chaves da Silveira, o Mauricinho Botafogo, segundo a polícia.
Alberto Júnior é descrito como "artista do crime" pelo delegado da Draco Fernando Paredes. "Quanto mais junta, mais ele quer; gosta de coisas caras; hospeda-se em hotéis cinco estrelas; só viaja de avião", relatou. Ele e Branco foram presos num grande hotel paulista com U$ 78 mil, jóias e armas. Entre o material apreendido, está uma caneta de ouro com a inscrição "Ernesto Geisel - 1977". A peça comemorativa da criação do Mato Grosso do Sul foi roubada do ex-senador e ex-governador daquele Estado, Marcelo Miranda de Soares, em 27 de fevereiro.
A polícia já prendeu 17 dos 40 integrantes da quadrilha especializada em assaltos a apartamentos - principalmente de políticos como o senador Antônio Carlos Magalhães e o ex-deputado Albano Reis. Há registros da atuação do bando no Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Amazonas, São Paulo e Pernambuco. Alberto Júnior, por exemplo, foi condenado a 3 anos de prisão pelo assalto ao apartamento de Magalhães, em Salvador (foi libertado depois de cumprir um terço da pena), é foragido do Recife e tem prisão preventiva decretada no Rio.
Segundo o delegado Paredes, a quadrilha costuma atuar dividida em bandos menores, encabeçados pelos assaltantes mais experientes. A ligação entre os grupos seria feita por receptadores. Um dos maiores do ramo, Paulo Roberto Malec, também foi preso na segunda-feira de carnaval, ao desembarcar no Aeroporto Santos Dumont. Ele havia acabado de chegar de São Paulo, onde negociou jóias com Alberto Júnior e Branco. "Há ainda o receptador do receptador", disse. "Ninguém derrete um relógio que vale R$ 15 mil e essa jóia também não pode voltar para o mercado, alguém recebe e repassa essa mercadoria".
O próximo passo da polícia é formar uma rede de informação que possa ajudar a prender esses criminosos. "Assusta a facilidade com que eles estão circulando pelo Brasil", afirmou o delegado. A rede contaria com equipe para análise de dados, que estudaria notícias de jornais, cruzando com as investigações policiais. O assunto será discutido pelos secretários de Segurança dos Estados envolvidos.


