Botucatu, SP, 15 (AE) - O médico Alfredo Hélio Ribeiro Padovan, de 68 anos, e sua mulher, Flávia Andréia Rodrigues Oliveira Padovan, de 37, foram mortos a tiros por um dos ladrões que invadiram, nesta madrugada, a chácara onde o casal residia, em Botucatu, a 225 quilômetros de São Paulo. Antes de ser morta, Flávia foi estuprada por um dos assaltantes, menor de idade. O filho do casal, Alfredo Padovan Neto, de 13 anos, foi baleado, mas sobreviveu.
O crime chocou a cidade de 180 mil habitantes, onde o médico era um oftalmologista muito conhecido. Foi o segundo crime violento na cidade nos últimos meses em que as vítimas são médicos renomados. Em agosto, três adolescentes haviam assassinado o médico Antônio de Pádua Campana, de 59 anos, professor e um dos fundadores da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (Unesp).
De acordo com os empregados de Padovan, os dois ladrões, encapuzados, armados com uma cartucheira e com uma faca, chegaram na chácara, na Rodovia Gastão Dal Farra, na manhã de ontem e renderam os funcionários que estavam do lado de fora. No interior da residência foram rendidos outros empregados, o casal e o filho. Todos foram colocados em um quarto. Os ladrões passaram o dia todo na casa.
Comeram o que havia na geladeira e passaram a exigir dinheiro e armas. Padovan era colecionador de armas e não teve como evitar que os assaltantes se apossassem de pistolas automáticas e munição. Eles o obrigaram a assinar cheques e queriam que indicassem onde estavam dólares, ameaçando com as armas a mulher e o filho. O assaltante A.A.M., de 17 anos, estuprou uma das empregadas, I.M.S. de 23 anos, depois atacou a mulher do médico. Os estupros provocaram um desentendimento entre os dois assaltantes.
O ladrão mais velho atirou e matou o menor. Em seguida, tirou do quarto o casal e o menino e descarregou a arma automática contra eles, fugindo com cerca de R$ 3 mil, dólares e algumas armas. O médico e a mulher morreram, mas o adolescente continuava internado hoje no Hospital das Clínicas de Botucatu. Ele está fora de perigo, mas em estado de choque. Segundo o delegado de Investigações Gerais, Tadeu Campos de Castro, as testemunhas identificaram o líder como sendo um ex-empregado da fazenda, de nome Éder, de 23 anos. O delegado pediu sua prisão provisória. Ele está sendo procurado em toda a região. Éder é primo do assaltante que matou e tem antecedentes criminais.

mockup