Ladrão de automóveis é morto dentro de escola
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quarta-feira, 16 de junho de 1999
Por Mauro Carvalho da Silva 
São Paulo, 17 (AE) - O ladrão de automóveis Fábio Monteiro da Silva, de 15 anos, foi morto com vários tiros no interior da E.E.P.G Francisco Roswell Freire, no Jardim Brasil, Grajaú, zona sul, onde estudou anos atrás. No tiroteio ficaram feridas as alunas E.R.C., 13, e M.B.L., 16, e o morador de rua Agenor dos Santos Lisboa, 53.
Silva desceu correndo a Rua Leonardo Leo, perseguidos por homens que ocupavam ocupavam um Kadett ou um Escort e uma moto Saara vermelha, que disparavam armas de vários calibres. Uma das balas perdidas atingiu o pé esquerdo de Lisboa. Eram 17h25 de hoje.
Mesmo assim os assassinos prosseguiram com a perseguição. Silva abriu uma das folhas do portão de chapa de ferro nos fundos da escola que dá acesso a uma quadra. Um dos tiros atingiu o portão.
Na quadra cerca de 30 alunas participavam da aula de Educação Física, jogando bola. O ladrão atravessou em diagonal a quadra, no meio das alunas. Mais tiros e o pânico tomou conta das moças. Elas gritavam e corriam sem saber direito para onde. A situação ficou mais grave quando viram duas amigas caindo ao chão. E.R.C. levou um tiro no cotovelo direito e à noite foi submetida a uma cirurgia no pronto-socorro do Grajaú, M.B.l. recebeu um tiro de raspão na coxa esquerda e ficou em estado de choque e Gisele, empurrada durante a correria, ficou com escoriações pelo corpo.
A policial feminina Andréa, momentos antes, deixou seu posto na quadra e foi conversar com a diretora. Foi sua sorte. Na sala da diretoria ouviu vários disparos, como se fossem rajadas. "São tiros", disse alarmada. Pela janela viu dois homens atirando contra o rapaz.
Procurou o telefone da escola, mas estava quebrado. Então ligou de seu celular para o Copom, pedindo reforço.
Silva continuou correndo, passando pelo alambrado, com os assassinos atirando. Abriu uma porta de acesso aos banheiros e voltou. Escalou um muro com três metros de altura e, pelo telhado pretendia atingir o outro lado da escola, na Rua Louis Daquin.
Não conseguiu. Foi morto com vários tiros, uma de calibre 12 na cabeça, o deixou desfigurado. "Recolhemos cápsulas de espingarda calibre 12, de 9 mm e de 45 mm", informou duas horas depois o delegado Gilmar Contrera, titular do 85º DP.
Contrera contou que no dia 30 de abril, Silvio e Marcelo Pereira dos Santos foram detidos tentando roubar uma perua Cherokke, na Avenida Robert Kennedy. Levados para o 102º DP, Santos, por ser adulto, foi indiciado, enquanto Silvio foi levado para o SOS Criança. Ele ja havia sido internado por duas vezes na Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem).
A polícia trabalha com várias hipóteses para o crime, mas as principais seriam vingança da quadrilha por Santos ter ficado preso ou dívida de drogas.
Moradores se queixam de que a região é muito violenta. Um deles, que se identificou apenas por Samuel, disse que há 35 dias um outro rapaz também foi morto perto da escola.


