Lacen pode decodificar vírus da gripe A
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Marcela Rocha Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Laboratório Central do Paraná (Lacen) pode ser o instituto brasileiro que fará a decodificação genética do vírus Influenza A (H1N1). Segundo o secretário estadual de Saúde, Gilberto Martin, a negociação já está acontecendo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O objetivo da decodificação é entender o grau de virulência ou agressividade do Influenza A (H1N1).
Para Martin, essa seria uma informação relevante para explicar uma possível diferença de mortalidade ou transmissibilidade da doença entre os estados. Mas esse estudo deve levar ainda entre 6 e 7 meses. A rigor técnico, não dá para afirmar que o Paraná está melhor ou pior. A maior taxa de mortalidade (divulgada ontem pelo Ministério da Saúde) apenas mostra que nós temos mais óbitos confirmados pelo maior número de exames já processados aqui. Nós estamos muito adiantados com relação aos exames. É como se o Paraná estivesse no tempo dez e os demais estados no tempo cinco, argumenta.
O secretário explicou que o MS também utiliza critérios diferentes para divulgação de números que os adotados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Enquanto os boletins estaduais mostram todos os casos confirmados da doença, inclusive os leves, analisados no início da epidemia, nos boletins com dados de todo o Brasil são contabilizados apenas os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG).
Outro dado informado por Martin é que o Brasil já notificou 72 mil casos da doença, enquanto só no Paraná foram 35 mil notificações. Isso mostra que o trabalho de vigilância da doença é efetivo no Paraná. Temos tido uma sensibilidade epidemiológica muito grande, mais eficaz do que os demais estados, afirma.
No entanto, o secretário afirma que a discussão de casos confirmados não é de maior importância epidemiológica, já que o vírus tem transmissão sustentada no Estado. Combinação de números hoje nos induz a conclusões que não são bem reais. Só poderemos ter um cenário completo quando todos os estados finalizarem a análise dos exa-mes, diz.
O Lacen, primeiro laboratório estadual a receber autorização para realização de exames, chegou a processar 450 amostras em um único dia. Após zerar as amostras represadas, o número caiu para 50 exames diários. O secretário lembrou que, há duas semanas, a Sesa mudou os critérios para recolhimento de amostras. Atualmente, apenas óbitos, internados, grávidas e casos de surtos são analisados laboratorialmente.
Em entrevista exclusiva à FOLHA, Martin adiantou os investimentos que o Paraná receberá do governo federal. Além de dez novos kits de respiradores que devem chegar já na próxima semana, o MS fez a proposta ao Congresso para que mais 100 kits.


