Laboratórios rejeitam matéria-prima
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de agosto de 2004
Nilson Brandão Junior<br>Agência Estado 
Rio- Um terço das matérias-primas compradas pelos laboratórios farmacêuticos oficiais acaba rejeitado por falta de qualidade, depois de adquirido em leilões ou concorrência pública. Com base na Lei n.º 8.666/93 (Lei de Licitações), a compra tem de ser feita pelo critério do menor preço e não leva em conta qualidade e procedência do produto.
O alerta foi feito pelo presidente da Associação de Laboratórios Oficiais do Brasil (Alfob), Carlos Alberto Nunes Pereira, segundo o qual a maior parte do produto rejeitado vem da China e da Índia. Depois de analisado, acaba devolvido aos seus representantes comerciais.
Pereira não precisou a quantidade rejeitada anualmente e explicou que não chega a haver prejuízo, pois o produto é analisado antes de o pagamento ser feito. A Alfob representa 18 laboratórios estatais. O executivo defendeu que as compras sejam feitas levando em conta também o critério de qualidade e não apenas do menor preço.
O representante da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Tecnologia e Especialidades, Alberto Ramy Mansur, disse que o problema da compra de produtos da China e da Índia é a ''falta de rastreabilidade'', ou seja, não há registros das etapas anteriores da fabricação da matéria-prima nem segurança do nível de resíduos de impurezas. São cerca de 6 mil laboratórios de produtos químicos na China e 4 mil na Índia, informou.
Mansur, que preside o laboratório particular Nortec Química, relatou que numa concorrência feita em julho por um laboratório oficial, cujo nome não foi revelado, houve grande discrepância de preços. A Nortec ofereceu a matéria para um anticonvulsivo por R$ 83,00 o quilo e outro participante, por 46,50.


