Laboratórios de análises e patologia clínica de Londrina e do Norte Pioneiro podem interromper o atendimento a planos e seguros de saúde, se as operadoras não implementaram a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). A decisão é da Associação dos Laboratórios de Análises e Patologia Clínica, Anatomia e Citologia do Paraná (Alapar) e do Sindicato dos Laboratórios de Londrina (Sinlab). Segundo o farmacêutico bioquímico Carlos Ayres, presidente do Sinlab, em alguns casos pode haver interrupção de atendimento, e em outros o atendimento será na forma de reembolso (o paciente faz o exame, paga e pede reembolso à seguradora).
A implantação da CBHPM vem sendo discutida em todo o país e já causou atitudes semelhantes entre médicos e farmacêuticos. Na última semana, por exemplo, farmacêuticos do Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR) decidiram não assinar contratos com operadoras de planos de saúde enquanto elas não fizerem os reajustes previstos na CBHPM. Tiveram como resposta da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) a mesma dada para a classe médica, de que não haveria condições de repassar qualquer reajuste, já que isso representaria um impacto nos custos.
A ''briga'' dos proprietários de laboratórios também é por reajuste na tabela paga pelos procedimentos. Segundo Ayres, a maioria dos laboratórios ainda recebe por uma tabela de 1992, mesmo pagando em dólar por reagentes químicos necessários para alguns tipos de exame. ''Para um exame genético, por exemplo, que tem custo de R$ 270,00, as operadoras repassam R$ 175,00, e não se pode negar fazer um exame'', exemplificou.
Segundo o presidente do Sinlab, os laboratórios vêm tentando abrir negociações individualmente, mas as respostas não têm sido favoráveis. A consequência disso, segundo o farmacêutico, são planos e operadoras sem contratos com os laboratórios, o que tornaria ''ilegal e discutível o atendimento aos usuários'', além de laboratórios pedindo o descredenciamento ou a rescisão de contrato com as operadoras e planos de saúde. ''Está deixando de ser vantagem atender a alguns convênios'', disse.

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