RECIFE - O Ministério da Saúde pediu ontem aos laboratórios oficiais que fabricam medicamentos para a rede pública que sugerissem um valor mínimo a ser pago pelo governo para que as indústrias retomassem a produção, paralisada há uma semana. Segundo o presidente da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil (Alfob), Antonio José Alves, as indústrias precisam de pelo menos R$ 15 milhões ‘‘para pagar as dívidas e recuperar o crédito com fornecedores’’.
Ontem, o Ministério da Saúde não havia se manifestado sobre a proposta. O governo deve, desde setembro, R$ 48 milhões aos 12 laboratórios oficiais que produzem para a rede pública. Sem dinheiro, as indústrias foram obrigadas a interromper a produção e as pesquisas e ameaçam reduzir o número de funcionários. Medicamentos produzidos exclusivamente para o governo, como o AZT, destinado ao tratamento de portadores do vírus da Aids, deixaram de ser entregues.
Também foram suspensos a fabricação e o fornecimento de remédios utilizados em programas específicos de saúde, como os de tuberculose e de hanseníase. Segundo Alves, com a crise, os laboratórios oficiais deixam de produzir diariamente cerca de 17 milhões de unidades de 52 tipos diferentes de medicamentos.
A manifestação de ontem do governo, afirmou o presidente da Alfob, foi a primeira desde que as indústrias farmacêuticas oficiais alertaram para o risco de desabastecimento, há um mês. Segundo Alves, mais de 600 cartas com um alerta sobre o problema foram enviadas a autoridades brasileiras nesse período. ‘‘Apenas três deputados responderam’’, disse.
UTI O governador do Espírito Santo, Vitor Buaiz (PT), pediu ontem ao ministro interino da Saúde, José Carlos Seixas, a liberação de verba extraordinária para tentar resolver o problema da superlotação das UTIs neonatais no Estado. O ministro prometeu estudar o caso e deverá fornecer uma resposta definitiva ao governador hoje. A verba liberada deve vir de parte da arrecadação do seguro obrigatório, pago por todos os proprietários de veículos anualmente, na época do licenciamento. Caso a verba seja liberada, o número de leitos na UTI neonatal do Hospital Universitário, de Vitória, será dobrado.

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