São Paulo, 19 (AE) - A indústria farmacêutica vai investir este ano cerca de R$ 120 milhões em equipamentos para lacrar embalagens dos medicamentos da forma estipulada pela portaria 802 da Vigilância Sanitária, em vigor a partir de outubro. O cálculo é do secretário-executivo da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica, Serafim Branco Neto.
Além dos investimentos, a indústria terá de pagar entre 5% e 10% a mais na compra das embalagens por conta do aumento de custo provocado pela obrigatoriedade de utilização da tinta reativa nas caixas dos remédios. Com utilização apenas permitida para gráficas autorizadas, o pigmento esconderá logotipo com a palavra "qualidade", que aparece a embalagem for arranhada.
"Funciona da mesma forma que os bilhetes de raspadinha", explica Branco Neto. Segundo ele, é a indústria que pagará a conta da nova legislação. "Em acordo com o governo
os laboratórios se comprometeram em não repassar as despesas com o consumidor", afirma.
Se para os fabricantes de remédios a nova legislação aumenta as despesas, para os produtores de equipamentos as exigências legais trazem mais lucros. O maior beneficiado é a indústria de máquinas que lacram embalagens com o sistema batizado de hot melt - método escolhido por cerca de 90% dos 400 laboratórios no país, segundo a Abifarma.
No caso, a embalagem é fechada com um adesivo aquecido que permite o consumidor perceber se a caixa já foi aberta. "Cada uma das máquinas custa de R$ 30 mil a R$ 150 mil, conforme as especificações", diz o executivo da Abifarma.
Com as vendas de máquinas para indústria farmacêutica, a multinacional norte-americana Nordson -líder mundial no setor, com 95% das vendas brasileiras de equipamentos para hot melt -pretende este ano aumentar em 40% seu faturamento, de US$ 20 milhões em 98.
Quem prevê é o supervisor de vendas da empresa, Paulo Afonso Páscoa Ribeiro. "As vendas para indústria farmacêutica, que no ano passado não existiam, já representam 15% de nossa receita e metade dos negócios com a indústria de embalagens", diz ele. E acrescenta: até o fim do ano, o segmento podem responder por até 22% dos ganhos da Nordson no Brasil, prevê Ribeiro.
Também a indústria de adesivos sai lucrando com os laboratórios, embora em menor escala. Com a nova portaria, a Fuller Brasil, dona de 30% do mercado brasileiro do setor, pretende destinar à indústria farmacêutica cerca de 3% de suas vendas. Líder mundial em sua área de atuação, com faturamento global de US$ 1,3 bilhão, a empresa de origem americana planeja aumentar em 99 o faturamento no País em 5% sobre os US$ 25 milhões registrados em 98, conta seu executivo Gerson Richtenberg. A maior parte da receita - cerca de 55% - vem da indústria de fraldas e absorventes.

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