Laboratórios de análises e patologia clínica do Paraná deixaram de atender, desde ontem, usuários de planos e seguradoras de saúde ligados a Associação Brasileira de Medicina de Grupo do Paraná e Santa Catarina (Abramge). Em Londrina, a Associação dos Laboratórios de Análises e Patologia Clínica, Anatomia e Citologia do Paraná (Alapar), contabiliza que, ontem, de 30 a 40 usuários já pagaram pelos exames, para posteriormente requisitarem o reembolso de suas seguradoras.
No primeiro dia de interrupção do atendimento em Londrina, o Procon não registrou reclamações de usuários. A previsão era que em todo o Estado, pelo menos 104 laboratórios, oito deles em Londrina, deixariam de fazer o atendimento para 16 seguradoras de saúde ligadas a Abramge. Em Curitiba, o movimento não foi iniciado (leia texto ao lado).
A suspensão do atendimento, segundo o presidente da Alapar, Ricardo Moita da Silva, foi decidida depois de um ano de tentativas de negociação. A reivindicação dos laboratórios é um reajuste de 23% no valor pago por exames e outros procedimentos, previsto com a implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM).
Outra reivindicação, segundo Silva, é o cumprimento da resolução 054 da Agência Nacional de Saúde (ANS), que prevê a assinatura de contratos entre operadoras e prestadores de serviços, onde constem o índice de reajuste anual, o preço pago pelos procedimentos e quais os procedimentos atendidos.
Ontem, o coordenador do Procon, Gérson da Silva, informou que os laboratórios poderiam estar promovendo uma prática ilegal ao cobrar do usuário o pagamento pelo exame. ''Se o laboratório não se descredenciou da seguradora de saúde, tem que atender o usuário sem ônus. E se o usuário pagar, neste caso, a seguradora fica desobrigada de fazer o reembolso'', disse, ressaltando que se não há contrato com a seguradora, aí os laboratórios podem cobrar do usuário.
Segundo o presidente da Alapar, ao invés de provocar reclamações, a medida foi motivo de apoio por parte dos usuários. ''Estamos falando de saúde e não de um produto que não é essencial'', afirmou. Segundo Silva, a maioria dos laboratórios ainda recebe por uma tabela de 1992, mesmo com os preços de materiais atrelados ao dólar e com inflação acumulada no período. A Alapar também está em processo de negociação com a Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg), que congrega 11 seguradoras no Paraná, e Associação das Entidades Paranaenses de Auto-Gestão em Saúde (Assepas), com 26 empresas no Estado.
A partir da próxima sexta-feira, os médicos de Londrina também deverão passar a cobrar por consultas com clientes de planos de saúde que não reajustaram a tabela segundo a CBHPM. Só usuários da Unimed, que se comprometeu a pagar a tabela referencial, não serão atingidos pela medida.

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