Laboratórios dizem que vão colaborar com a CPI
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terça-feira, 29 de fevereiro de 2000
Por Tânia Monteiro e Luciana Miranda, especial para a AE 
São Paulo e Brasília, 01 (AE) - A maioria dos laboratórios que tiveram seu sigilo bancário quebrado por determinação da CPI dos Medicamentos recebeu oficialmente a decisão com tranquilidade, garantindo que as empresas vão colaborar nas investigações feitas pelos deputados. A assessoria de Imprensa da Abbott informa que a empresa tem administração transparente, sem ter o que esconder, e vai cooperar. Resposta semelhante foi anunciada pela Hoechst Marion Roussel.
A Eli Lilly se disse preocupada com o "absoluto respeito à legislação nacional, inclusive com relação à proteção dos direitos do consumidor, práticas comerciais e legais de recolhimento de tributos". Em Brasília, o diretor para América Latina da Glaxo Welcome, Jorge Raimundo, disse que recebeu a notícia "com serenidade, respeito, mas com perplexidade e surpresa". "Não há qualquer prova de delito contra a empresa"
afirmou, à saída de uma audiência com o presidente em exercício Marco Maciel, no Palácio do Planalto.
Raimundo informou que havia procurado Marco Maciel para lhe dar explicações sobre a inclusão da empresa na lista da CPI e lhe dizer que a indústria não cometeu nenhum delito. Ele lembrou que Maciel esteve presente na inauguração da Glaxo em 1998, no Rio de Janeiro, quando foram anunciados investimentos de US$ 200 milhões. Fundamental - Num anúncio sucinto, a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma) informou apenas que respeita a decisão da CPI. Já a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) não se pronunciou sobre o assunto. Para o presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, Dirceu Raposo de Mello, a quebra de sigilo bancário dos laboratórios permitirá dimensionar o lucro real dessas empresas.
"Essa medida é fundamental para que as investigações possam averiguar a realidade dos laboratórios", declarou. O porta-voz da empresa farmacêutica Byk, David Zimath, não concorda. Para a Byk, segundo ele, a quebra do sigilo bancário nada acrescentará às investigações. Num comunicado distribuído à imprensa, a Wyeth-Whitehall informou, hoje à tarde, ainda não ter sido oficialmente notificada sobre a quebra do sigilo bancário. Mesmo assim, adiantou que vai continuar cooperando com as autoridades, como vem fazendo até agora.
A Biossintética não emitiu opinião sobre a quebra do sigilo bancário. Segundo a assessoria de Imprensa, a empresa está analisando a decisão. A Centeon informou que não tem comentários a fazer. Na Schering-Plough, a diretoria anunciou que não emitirá opiniões até a CPI terminar.


