Laboratórios deixam de atender planos de saúde
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quarta-feira, 11 de agosto de 2004
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Laboratórios de análises e patologia clínica do Paraná vão interromper, a partir da próxima segunda-feira, o atendimento a planos e seguradoras de saúde ligados à Associação Brasileira de Medicina de Grupo do Paraná e Santa Catarina (Abramge). A decisão foi tomada no último sábado em assembléia da Associação dos Laboratórios de Análises e Patologia Clínica, Anatomia e Citologia do Paraná (Alapar), depois de frustrada mais uma negociação para a implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos
Médicos (CBHPM).
Com a suspensão do atendimento, os usuários deverão pagar pelo exame para posteriormente solicitar reembolso do valor. Em todo o Estado, pelo menos 104 laboratórios, oito deles em Londrina, devem deixar de fazer o atendimento para 16 seguradoras de saúde ligadas a Abramge.
O presidente da Alapar, Ricardo Moita da Silva, não soube informar quantos usuários devem ser atingidos pela medida, mas ressaltou que, há pelo menos um ano, o órgão tentava negociar com essas seguradoras. Segundo ele, as negociações começaram primeiro com cada seguradora, e depois houve a tentativa de negociar através da associação. ''Os laboratórios estão com as contas atrasadas, deixando de recolher impostos e atrasando pagamentos de funcionários. Ficou um 'jogo de empurra', por isso chega uma hora em que é melhor deixar de atender'', afirmou.
Silva explicou que a reivindicação dos laboratórios é um reajuste de 23% no valor pago por exames e outros procedimentos, e além disso o cumprimento da resolução 054 da Agência Nacional de Saúde (ANS), que obriga as operadoras a ter um contrato com os prestadores de serviço. Nesse contrato deve constar o índice de reajuste anual, o preço pago pelos procedimentos e quais os procedimentos atendidos. Segundo Silva, a maioria dos laboratórios ainda recebe por uma tabela de 1992, mesmo com os preços de materiais atrelados ao dólar e com inflação acumulada no período. ''Se a gente fosse computar tudo, seria necessário um reajuste de mais de 200%. E 23% é o valor mínimo possível para continuar atendendo'', disse.
A Alapar também está em processo de negociação com a Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg), que reúne 11 seguradoras no Paraná, e Associação das Entidades Paranaenses de Auto-Gestão em Saúde (Assepas), com 26 empresas no Estado.
O presidente da Abramge regional, Joelson Zeno Samsonowski, disse, ontem, que considera ''precipitada'' a decisão da Alapar, e que ela estaria ferindo os contratos assinados com as seguradoras, além do Código de Defesa do Consumidor. ''Não é o momento oportuno, estamos negociando primeiro com os médicos, para depois negociar com os laboratórios'', disse.


