Os laboratórios de análises e patologia clínica do Paraná vão suspender a partir de hoje o atendimento a alguns convênios de saúde. Com essa decisão, aprovada em assembléia na última sexta-feira, os usuários terão que pagar os exames, para serem reembolsados pelos planos, e enfrentarão uma dor de cabeça a mais: o risco da perda de qualidade do serviço.
Com o sucateamento das empresas de análises e patologia, os pacientes estão expostos a situações, como já aconteceu em São Paulo, de exames fraudados e uso de materiais e reagentes de má qualidade.
O presidente da Associação de Análises e Patologia Clínica, Anatomia e Citologia do Paraná (Alapar), Ricardo Moita da Silva, lembra que a situação vem se arrastando há 10 anos, inviabilizando o serviço.
Para tentar evitar o colapso, o setor reivindica reajuste de 23% no valor pago por exames e outros procedimentos, previsto com a implantação da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (BHPM).Também quer o cumprimento da resolução 054 da Agência Nacional de Saúde (ANS), que prevê a assinatura de contratos entre operadoras e prestadores de serviços onde constam o índice de reajuste anual, preço pago e procedimentos especificados.
A Alapar está realizando assembléias com os 114 laboratórios associados. Os oito de Londrina decidiram pela suspensão do atendimento. A associação está em processo de negociação com a Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg), que reúne 11 seguradoras no Paraná, e Associação das Entidades Paranaenses de Autogestão em Saúde (Assepas), com 26 empresas no Estado, e deu prazo até o final de outubro para que atendam as reivindicações.
Já os laboratórios no Paraná, que atendem as 42 operadoras filiadas à Associação Brasileira de Medicina de Grupo do Paraná e Santa Catarina (Abramge), devem parar o atendimento hoje.
O presidente da Alapar coloca sob suspeita laboratórios que cobram preços baixos por exames. ''As tarifas públicas aumentaram, também temos que cumprir com folha de pagamento, aumentos que chegam a 200% sem nenhum reajuste. Os laboratórios estão morrendo. Está havendo um desequilíbrio do setor. As expectativas não são nada boas'', disse.
O assessor jurídico da Coordenadoria de Defesa do Consumidor (Procon), Jackson Romeu Ariukudo, ressalta que os laboratórios somente podem cobrar por exames de usuários se estiverem descredenciados dos planos de saúde. ''O plano é responsável pelo consumidor e tem que dar uma via alternativa. Se não oferecer, o usuário deve procurar o Procon'', orienta.
Para o presidente da Alapar, a cobrança é legal. ''A maioria das operadoras não tem contrato com os laboratórios. Isso é uma das nossas reivindicações, já que a resolução 054 obriga as prestadoras a manterem esse tipo de contrato. Do jeito que está não existe uma relação comercial entre as duas partes'', afirma Ricardo Moita da Silva.
O presidente do Sindicato dos Laboratórios do Paraná, Carlos Ayres, considera o movimento justo e afirma que existem laboratórios no estado que estão fechando as portas.

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