Laboratórios de análises clínicas querem reajuste de 15% nos exames
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 09 (AE) - Os laboratórios de análises clínicas querem reajuste de 10% a 15% nos preços dos exames -cobrados do Sistema Único de Saúde e dos planos de assistência médica- e redução nos impostos sobre importação de insumos por causa do aumento de custos provocado pela desvalorização do dólar. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, Armando Fonseca, disse hoje que o setor já absorveu preços de 20% a 30% maiores de matérias-primas, máquinas e softwares importados, mas só aguentará sem aumentar até o fim de março.
"Se o reajuste for diluído ao longo da cadeia de comercialização, desde os fornecedores no exterior até o SUS e os planos de saúde, o impacto final sobre os preços será menor"
disse Fonseca. Ele explicou que os cálculos e reivindicações baseiam-se no dólar entre R$ 1,60 e R$ 1,70 e só serão fechados após a estabilização da cotação da moeda americana em relação ao real.
De acordo com Fonseca, já foram iniciadas negociações com as empresas de medicina de grupo, que disseram não poder repassar o aumento para os preços dos planos. No caso do governo
serão procurados o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e da Saúde
José Serra.
Fonseca contou que em janeiro, logo após o início da crise cambial, os reajustes pedidos pelos fornecedores foram "absurdos", de 10% a 110%, e a reação inicial foi deixar de comprar. Na última sexta-feira, em São Paulo, representantes da Sociedade e da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial, que reúne 28 empresas importadoras e fornecedoras , encontraram-se para discutir o assunto, numa negociação que ele classificou de "dura". "Nós os fizemos entender que o repasse integral causaria um colapso", afirmou.
Acordo - As duas entidades fecharam um acordo, segundo o qual os importadores refizeram suas margens de lucro e fornecedores e laboratórios dividiram igualmente os aumentos, sem repassar nada para o preço cobrado dos consumidores. A situação será mantida até o fim de março, quando esperam ter negociado com o governo e os planos de saúde. "Antigamente bastaria pegar o telefone e mandar aumentar, mas a sociedade ficou acostumada a quatro anos de inflação baixa, o mercado não aceita mais isso", disse.
Durante o Plano Real, afirmou Fonseca, cresceu muito o uso de exames e tecnologias sofisticadas e importadas, dolarizando boa parte dos custos do setor. Um laboratório como o DLE, do qual ele é diretor-geral, usa 90% de reagentes importados. Mesmo pequenas empresas de diagnóstico acabam tendo seus custos atrelados ao dólar, pois mandam seus exames mais sofisticados para ser feitos em laboratórios maiores.


