Laboratório testa remédio contra crises
PUBLICAÇÃO
domingo, 15 de junho de 2008
Alexandre Gonçalves<br>Agência Estado 
Uma nova classe de drogas poderá melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem de enxaqueca. Segundo reportagem publicada pelo jornal britânico ''The Guardian'', um remédio do laboratório inglês Minster Pharmaceuticals, que diminuiria significativamente a ocorrência das crises, já está na terceira fase de testes clínicos.
O neurologista Peter Goadsby, professor da Universidade da Califórnia em São Francisco, foi contratado pelo laboratório para coordenar os testes clínicos realizados na Europa.
Ele explica que o remédio Tonabersat, nome do medicamento, pertence a uma nova categoria: os bloqueadores de junção neural, capazes de reduzir a atividade excessiva do cérebro, um provável fator responsável pelas crises.
Segundo dados divulgados pela empresa, nos testes europeus, observou-se uma diminuição média de 64% na ocorrência das crises em pessoas que receberam o medicamento durante três meses.
Estudos realizados nos Estados Unidos sugerem que 38% das vítimas de enxaqueca podem tomar medicamentos preventivos, mas só 12% lançam mão do recurso. Em parte, por causa dos efeitos colaterais.
Atualmente, costumam ser receitados remédios para epilepsia, como os bloqueadores beta, ou anticonvulsivos, como o divalproato.
O médico Alexandre Feldman, especialista em enxaqueca, adota uma postura prudente. ''Houve medicamentos que apresentaram ótimos resultados nos testes, mas descobrimos que não eram tudo isso quando chegaram ao mercado.'' Feldman lembra o Topamax, ''já apresentado por alguns como a cura''.
O neurologista Deusvenir Carvalho, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também considera difícil produzir um medicamento com menos efeitos colaterais do que os bloqueadores beta. ''Precisamos esperar o fim dos testes'', afirma. Atualmente, 500 pacientes experimentam o produto nos Estados Unidos e no Canadá.


