Curitiba
Um exame de laboratório realizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em 38 marcas de chás medicinais, reprovou sete deles por contaminação microbiológica. Nove apresentaram bolores, leveduras, resíduo de incineração ou outros materiais estranhos. Entre as marcas reprovadas estão as paranaenses Multiervas e Leão, cujos chás de erva-cidreira, hortelã e camomila apresentaram contaminação.
Os exames foram realizados pelo Departamento de Farmácia da Universidade Federal do Paraná, com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia. Além dos testes de sanidade, que avaliam a presença de matéria orgânica estranha, foram medidos os princípios ativos das plantas e a anatomia dos chás.
O resultado dos exames mostrou que metade das marcas analisadas pode ser considerada de baixa qualidade. O técnico Sezifredo Paulo Alves Paz, um dos responsáveis pela Idec, aconselha que o consumidor evite os produtos que não tragam todas as informações, como registro no Ministério, endereço do produtor e outros, no rótulo. ‘‘Sempre que possível procure orientação profissional sobre como utilizar os chás medicinais, como carqueja, boldo e erva-doce.’’
Os chás de hortelã foram os que apresentaram mais problemas: dos quatro testados, três foram eliminados por conter bolores e leveduras. No caso das infusões de erva-doce, os técnicos da Idec recomendam que se evite as marcas Castellari, Oetker e Pronatur. ‘‘As contaminações encontradas podem causar riscos à saúde’’, alerta Alves Paz.
Ele também denunciou irregularidades no peso anunciado na embalagem, detectadas no chá de boldo Oetker e no chá de camomila Multiervas. O técnico informou que a única marca que passou em todos os testes de laboratório foi a Kitano.
Os outros fabricantes já foram notificados sobre as irregularidades e, segundo afirmou Alvez Paz, muitos deles já estão providenciando as devidas alterações. ‘‘A maioria atribuiu os problemas à matéria prima utilizada na confecção’’, contou.
A Idec conta com 40 mil associados em todo o País e realiza cerca de quatro exames de qualidade de produtos por mês. No caso específico dos chás, o instituto pretende promover um alerta: ‘‘Este produto, localizado entre os alimentos e os medicamentos, é muito mal fiscalizado pelas autoridades.’’

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