Laboratório é multado por despejo de resíduos hospitalares
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sábado, 15 de novembro de 2014
Paulo Monteiro<br> Equipe NossoDia 
Londrina - O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) multou o centro de patologia e análises clínicas Clinilab-Imagem em R$ 25 mil. A autuação ocorreu na tarde de ontem na sede do órgão. A empresa foi considerada responsável pela falha no gerenciamento de resíduos hospitalares. Nos últimos dias, restos humanos etiquetados com o nome do laboratório foram encontrados na cooperativa de materiais recicláveis Cooperoeste, na Avenida Dez de Dezembro, na zona sul de Londrina.
"Foi feita a autuação sobre a ocorrência, considerada gravíssima, e lavrada uma multa de R$ 25 mil. Os representantes da clínica não negaram a responsabilidade e assumiram a culpa. Porém, acredito que não ocorreu o dolo (quando há intenção) por parte deles", disse o chefe regional do IAP, Raimundo Maia. "O erro se desenvolveu porque a clínica não segregou o material hospitalar, que deveria estar em local fechado. O espaço estaria aberto e um coletor de recicláveis pegou o material e o descarregou no barracão na Dez de Dezembro", ressaltou. A reportagem tentou ouvir os representantes da Clinilab-Imagem, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Também na tarde de ontem, duas funcionárias de uma empresa de coleta e transporte de resíduos sólidos de serviços de saúde realizaram uma limpeza no depósito de reciclagem, onde o lixo hospitalar foi encontrado. Após o trabalho, Gilmar Domingues Pereira, gerente de resíduos da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), liberou o espaço para que os recicladores possam voltar ao trabalho.
Segundo Domingues, o laboratório protocolou seu plano de gerenciamento de resíduos de produto na CMTU. "Precisamos entender como esse problema aconteceu, já que houve uma falha gravíssima do laboratório", afirmou. Domingues acrescentou que, além da notificação da CMTU, a Vigilância Sanitária e a Secretaria do Ambiente abriram processos administrativos para apurar o caso e a empresa pode sofrer ações nas esferas cível e penal.
Já para os recicladores da Cooperoeste, o problema ainda não acabou. Devido ao forte cheiro e a toxicidade do produto químico usado para conservar os restos humanos, muitos cooperados passaram mal. Cerca de 15 pessoas foram encaminhadas ao hospital e estão afastadas do trabalho, explicou Nilsa de Brito, presidente da Cooperoeste. "Não temos certeza se estamos livres do problema. Hoje (sexta) mesmo encontrei um saco com partes humanas enquanto varria a calçada", disse ela.
Nilsa contou que o materiais recicláveis levados junto com lixo hospitalar para ser incinerado, cerca de 1.700 quilos, e os três dias de interdição do depósito provocaram um prejuízo de aproximadamente R$ 18 mil. "São 84 pessoas dependendo disso. Trabalhávamos desde a manhã até as 22 horas e ficamos todo esse tempo parados", reclamou.


