Laboratório detecta uso de drogas em até 6 horas
São Paulo, 28 (AE) - O País passa a contar com um laboratório de referência em toxicologia, capaz de emitir laudos de detecção de drogas em até seis horas. O centro, chamado Maxilab, foi inaugurado este mês e servirá de apoio para o Programa Qualivita, que visa a atuar em empresas, escolas e planos de saúde na prevenção, diagnóstico e recuperação de pessoas dependentes de drogas e álcool. Segundo o coordenador do programa, Anthony Wong, usuários de drogas faltam até dez vezes mais ao trabalho e respondem por 50% das ausências e licenças médicas.
Estima-se que, no Brasil, entre 10% e 15% da população consuma álcool excessivamente e 6% a 8% usem drogas com frequência. Segundo Wong, a melhor forma de diminuir esses números é trabalhando na prevenção. Já o diagnóstico e recuperação dos usuários podem ter resultados ainda melhores. De acordo com o especialista, 97% dos que fumam maconha abdicam do vício com programas de recuperação e apoio. O índice é de 70% entre os usuários de cocaína, 63% entre os de heroína e 80% entre os alcoólatras. "Cada R$ 1 investido na prevenção e recuperação resulta em uma economia de R$ 5", disse hoje Wong, durante uma entrevista coletiva em São Paulo. Esso - Uma das primeiras empresas a adotar um programa de controle de drogas e álcool foi a Esso do Brasil, em 89. De acordo com Carlos Lucena, consultor em saúde ocupacional e ex-diretor da Esso, a melhor forma de detectar usuários de drogas nas empresas é testando os funcionários de forma aleatória. A adoção do programa ocorreu após um acidente com um petroleiro da Exxon, no Alasca, em 89. O acidente resultou no derrame de 240 toneladas de óleo, provocando um grande desastre ecológico. "Funcionários responsáveis por cargas de risco devem conquistar a confiança realizando testes para álcool e drogas", avaliou Lucena. Há questões éticas na realização de testes de drogas entre os funcionários. No entanto, Lucena afirmou que a constituição brasileira não aborda esse ponto. "O direito individual não pode sobrepor-se ao coletivo", justificou. Segundo ele, sempre que houver suspeita, o funcionário deve ser testado. E ele recomenda atitudes disciplinares para aqueles que não entrarem na proposta da empresa, mas não necessariamente a demissão do usuário. "A dependência é tratável", disse Lucena. (G.S.)





