Laboratório de Atibaia vende remédios irregulares, denunciam funcionários
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Adriana Carvalho 
Atibaia, SP, 22 (AE) - Um grupo de 60 funcionários da Indústria Farmacêutica Luma, em Atibaia, procurou a polícia hoje para denunciar uma série de irregularidades na produção de medicamentos. De acordo com o analista de laboratório, Marcos Augusto da Silva, grande parte dos remédios do Luma não respeita as dosagem dos princípios ativos. "Tenho amostras de remédios que estão fora das especificações da bula e toda a produção do Luma pode estar comprometida por causa das condições de higiene do local", denunciou Silva."Nós, funcionários, éramos obrigados a rotular novamente medicamentos com o prazo de validade vencido", disse.
O dono do laboratório, Rubens Guimarães Jorge, negou as acusações. O industrial admitiu porém, que em janeiro a Vigilância Sanitária de Atibaia interditou parte do laboratório, impedindo a produção de Amoxilina. "Tivemos problemas com esse medicamento, mas isso ocorreu em 1998", justificou Jorge. "O Luma vende remédios para todo o Brasil e há maneiras de se colher amostras para análises", disse.
O chefe da Divisão de Farmácias da Vigilância de Atibaia
José Eduardo Mariano, disse que a produção de penicilinicos foi interditada em janeiro, em função da inadequação do local."Também constatamos problemas com exames médicos de funcionários que trabalham na área e por isso o laboratório estava impedido de produzir penicilinicos", explicou Mariano.
A denúncia de irregularidades no Luma veio à tona na segunda-feira, depois que os cerca de 60 funcionários foram impedidos de entrar no laboratório. O motivo seria a falência da empresa, decretada pela Justiça. "Não é verdade sobre a falência e eles nos impediram de entrar para tirar tudo de lá e não pagar dívidas trabalhistas", disse a auxiliar de produção Maria Neide Cruz Cardoso. "O laboratório já foi fechado pela Justiça mas reabriu por força de uma liminar, não recebemos nem o salário de janeiro e agora não nos deixam entrar para retirar nossos pertences dos armários",afirmou.
Por volta das 17 horas de hoje policiais civis e agentes sanitários estiveram no laboratório para apreender amostras de remédios, mas não havia ninguém no local. Segundo o delegado Sebastião Alves de Oliveira, a polícia vai apurar possível crime contra a saúde pública, com base nas denúncias dos funcionários.


