Laboratório da UEM realiza detecção de níveis de metanol em bebidas
Equipe da universidade analisa amostras de bebidas alcóolicas e registra a concentração de cada componente em apenas 20 minutos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de outubro de 2025
Equipe da universidade analisa amostras de bebidas alcóolicas e registra a concentração de cada componente em apenas 20 minutos

Com a crescente de casos suspeitos de intoxicação por metanol, o serviço ofertado pelo laboratório do grupo de pesquisa APLE-A (Analítica Aplicada a Lipídios, Esteróis e Antioxidantes) da UEM (Universidade Estadual de Maringá) torna-se ainda mais evidente. O laboratório analisa amostras de bebidas alcóolicas e registra a concentração de cada componente em apenas 20 minutos.
De acordo com o professor responsável, Oscar de Oliveira Santos Júnior, já houve aumento da demanda, principalmente de consumidores que adquiriram estoque de bebidas para festas agendadas. “Nós atendemos a comunidade externa e emitimos relatórios técnicos. Muitas empresas que produzem bebidas artesanais também nos procuram para saber se o processo de produção está correto ou se precisa ser ajustado”, explicou.
O equipamento utilizado no laboratório é o cromatógrafo a gás, que separa os compostos da bebida de acordo com o ponto de ebulição e indica os índices de cada um deles. Para a detecção da quantidade de metanol, por exemplo, 10 ml são suficientes, já para outros tipos de investigação o ideal são amostras de 500 ml. A pós-doutoranda em Química Patrícia Danieli Silva dos Santos é a responsável pelas análises de bebidas do laboratório.
Por enquanto, o laboratório da universidade não emite laudos - necessários para certificação junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) -, mas já existe um projeto de expansão para a montagem de um centro de excelência em análise de alimentos, segundo Santos Júnior. “Assim, vamos atender não só a vertente de bebidas, mas também a de alimentos, de origem animal e vegetação.”

Perigos do metanol
Conforme explica o professor, praticamente todas as bebidas alcoólicas fermentadas e destiladas produzem metanol em algum nível, mas a quantidade varia conforme a matéria-prima e o processo. O metanol é formado principalmente pela degradação de pectinas (fibras solúveis) presentes em frutas e vegetais. Os níveis regulamentados são seguros e não causam intoxicação, mas em concentrações maiores pode ser altamente tóxico.
Por exemplo, em um volume de 100 ml de bebida destilada ingerida contendo 0,2 g (0,2%) de metanol não há risco; na mesma quantidade, 1 g (1%) provoca o início dos sintomas e 4 g (4%) já causam sintomas graves. Com a ingestão de grandes quantidades, o metanol é metabolizado no fígado e gera formaldeído, considerado um veneno sistêmico. Quando o volume é baixo, o etanol atua como antídoto natural, pois compete pelo processo de metabolização do fígado, fazendo com que o metanol seja eliminado do organismo sem toxicidade.
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Sintomas
Os principais sintomas da intoxicação são: visão turva ou perda de visão e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese). Em caso de sintomas, o paciente deve procurar um serviço de saúde imediatamente. Todos os casos suspeitos de intoxicação por metanol devem ser reportados a um dos quatro Centros de Informação e Assistência Toxicológica do Paraná. Em Maringá, o CIATox está localizado no Hospital Regional Universitário de Maringá e atende pelo telefone (44) 3011-9127.
Informações
O laboratório está localizado no bloco 17. O telefone para contato é o (44) 3011-4389. O espaço presta serviços para a comunidade externa e os valores podem ser consultados por telefone.
(Com informações da Assessoria de Comunicação Social da UEM)


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