Laboratório da UEM preparado para exames
O laboratório do Departamento de Análises Clínicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM) já está preparado para fazer o diagnóstico de casos suspeitos de cólera. O Laboratório Central do Estado (Lacen), de Curitiba, deve enviar até segunda-feira à UEM amostras de ampolas de Cariyblair, que servem de meio de transporte das fezes do paciente com diarréia.
A ampola tem 30 cm de tamanho; o material recolhido dentro da ampola é imediatamente despejado numa pequena vasilha com nutrientes para o desenvolvimento da bactéria; através de um soro feito com a cultura, é possível saber se a bactéria é o vibrião colérico. Hoje, a UEM envia seis amostras desses equipamentos, fabricados pelo próprio laboratório de Maringá, para cada posto de saúde (são 23 em Maringá) e hospitais da região. A professora Vera Lúcia de Siqueira, do Departamento de Análises Clínicas, explicou que como se trata de uma epidemia o laboratório não vai esperar a chegada do material de Curitiba e já fabricou por conta própria esses swabs, como são chamadas as ampolas. Os resultados dos testes podem demorar até 72 horas.
Ela garantiu que até o final da tarde de ontem nenhum caso suspeito de cólera havia sido notificado pelo laboratório. O diretor da 15ª Regional de Saúde médico Sandro Scolari também garantiu que, apesar dos boatos correntes ontem à tarde em Maringá, nenhuma suspeita de cólera havia sido notificada nos 30 municípios próximos a Maringá.
Ontem, Scolari fez as seguintes recomendações aos responsáveis por órgãos de saúde e de meio ambiente da região: implementar o saneamento básico, fiscalizar rodoviárias, postos de gasolina e restaurantes de rodovias e a procedência, conservação e preparo de peixes, mariscos e camarão e ainda monitorar a origem da água de irrigação de hortaliças e frutas.
Para o médico, existe a possibilidade de a cólera se estender para outras regiões do Estado: É possível porque não temos controle sobre os assintomáticos, aqueles que conservam a bactéria em seus intestinos mas não ficam doentes, não apresentam sintomas.
Segundo a médica-infectologista Maria Emília Machado, também professora da UEM, de cada 10 assintomáticos apenas três apresentam os sintomas da doença: Os outros vão continuar espalhando a cólera porque não sabem que têm a bactéria dentro de si.Marcos NegriniVera Lúcia mostra ampola para recolher fezes de suspeitosMarccio W. Varella





