São Paulo, 17 (AE) - O volume atípico de chuvas no Oeste do Amazonas, provocado pelo fenômeno La Niña, provocaram cheia no Rio Solimões e seus afluentes. É a maior enchente dos últimos cinco anos. As prefeituras dos muncípios de Benjamin Constant, Tabatinga, Atalaia do Norte e Tonantins decretaram estado de calamidade pública. Nas duas primeiras cidades, 14.780 pessoas estão com as casas inundadas, mas só 240 delas abandonaram suas residências e estão alojadas em igrejas e centros sociais; Atalaia do Norte e Tonantins estão isoladas e sem comunicação.
O único hospital de Benjamin Constant está isolado pelas águas do Rio Javari. Falta alimentos, roupas e medicamentos; várias comunidades dos índios Ticuna sofrem com as cheias. "Pedimos ajuda ao Programa Comunidade Solidariadade e ao governo do Amazonas. Mas até o momento não tivemos retorno" disse por telefone o prefeito Amaury Mota (PTB). "Continua chovendo forte e amanhã, as aulas serão suspensas revelou.
A maior enchente do Rio Solimões aconteceu em 1994, quando a quota máxima chegou a 13,32m acima do nível. Hoje o Controle de água do Porto Fluvial de Tabatinga (1.100 quilômetros de Manaus) registrou quota de 13,52m - 20 centímetros a mais. No início deste ano, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) previu grandes enchentes nos rios da Amazõnia em razão do fenômeno La Niña.
Hoje o Rio Negro registrou quota máxima de 28,51m - 1 18m a menos em relação à maior cheia, há 46 anos. Mas o nível das águas do Negro já está mais elevado em 73 centímetros se comparados com os dados do ano passado. A meteorologista do 1º Distrido de Manaus (INMET) Flávia Lacerda disse que não descarta uma cheia extraordinária, igual ou até mesmo superior à de 53. Ela disse que o ciclo natural da estação chuvosa se iniciou em meados de novembro e se estenderá até junho.

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