La Niña provoca enchente no AM
Agência Estado
O fenômeno La Niña e as instabilidades causadas pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) contribuíram para um excedente médio de 100 milímetros de chuvas em todo o Estado do Amazonas no mês de maio. O estudo da meteorologista Flávia Lacerda, do Instituto Nacional de Meteorologia, registrou 173% a mais de chuva este mês em Manaus do que a média histórica dos últimos 30 anos. Também em Benjamin Constant, a 1.100 quilômetros da capital, castigada pela maior enchente desde 94, as chuvas aumentaram 220% em relação a todos os meses de maio de 1960 a 1990.
O excedente de precipitações em Benjamin Constant foi de 247 milímetros. E de Manaus 181,1 milímetros, afirmou Flávia, explicando que esses excedentes contribuíram significativamente para o aumento do nível dos rios. No caso do Rio Negro, que banha Manaus, o nível registrado ontem era de 29,11 metros, superando a enchente de 1975. Em Benjamin Constant, desde o ultimo dia 29, quando a quota máxima ficou em 13,82 centímetros, o Rio Negro parou de encher, dando início à vazante.
A meteorologista disse que no mês de maio o acúmulo de chuva em Manaus foi de 445,4 milímetros, superando o observado no mesmo período de 1998, quando o acumulado ficou em 273,4 milímetros. Em Benjamin Constant, o acumulado registrado neste ano foi de 551,8 milímetros contra 275,4 milímetros do ano passado.
Segundo Flávia Lacerda, o fenômeno La Niña, que é o resfriamento anormal da água do Pacífico Equatorial e a ZCIT - região de confluência de 200 ventos de ambos os hemisférios em torno do Equador - continuam contribuindo para o aumento de chuvas na Amazônia. O La Niña se intensificará durante o trimestre (maio, junho e julho), com anomalias negativas de até 12ºC , ou seja continuará resfriando. A ZCIT permanece posicionada mais ao sul. São situações que contribuem para alterar os regimes de cheias e vazantes dos rios do Amazonas e seus principais afluentes, prevê Flávia Lacerda.





