La Niña pode causar estiagem e quebrar a safra no Sul do País
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de julho de 1998
Júlio Ottoboni, Agência Estado 
O quadro de formação da anomalia climática La Ni¤a está rapidamente se configurando no Oceano Pacífico. As Temperaturas da Superfície do Mar (TSM) nas porções oceânicas central e oriental estão caindo acentuadamente e o fenômeno pode se instalar a partir de outubro deste ano. Segundo as previsões dos Centros Nacionais de Previsão Ambiental (Ncep), órgão da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (Noaa), dos EUA, o La Ni¤a deverá se acentuar nos primeiros nove meses de 1999.
O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), pertencente ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), está rodando o modelo climático que dará informações sobre o La Ni¤a no novo supercomputador da entidade, o Nec SX4.
Para se definir as condições para o surgimento da anomalia, é preciso ter no Pacífico TSMs abaixo de 1,5 graus dos registros térmicos médios do período. Segundo o chefe do Cptec, Carlos Nobre, as temperaturas no Pacífico central estão de 2 a 3 graus centígrados abaixo da média, estabelecida entre 25 e 27 graus.
Nobre explica que os modelos climáticos são ainda incapazes de determinar a intensidade do fenômeno ou qual será seu prazo de duração. O La Ni¤a permanece em atividade entre 12 e 18 meses. No Brasil, o versão feminina do El Ni¤o deverá trazer estiagem no Rio Grande do Sul na Primavera e no Verão. Porém, aumenta as chuvas no mesmo período na região amazônica. Se for um La Ni¤a forte a diminuição ou aumento nas chuvas pode ser de até 30%, comentou o cientista.
A direção do Inpe espera ter uma determinação mais exata das proporções do fenômeno climático em setembro. Caso fique comprovado que a estiagem será drástica na região do Mercosul e no sul do País, está prevista a elaboração de um relatório para o governo federal nos mesmos moldes do preparado sobre a seca no Nordeste este ano. Temos que ficar atentos, pois o impacto na agricultura é enorme e poderá ter grandes quebras de safras como nos de 1988 e 89, fala Nobre, relembrando uma das mais danosas edições do La Ni¤a.


