'Lá foi o único lugar em que fui ouvido'
Londrina O carpinteiro R.B.S, de 42 anos, ficou cinco dias preso no 5º Distrito Policial após ser denunciado pela ex-mulher. Ele nunca havia ido para a prisão e teve que encarar uma rebelião na cadeia e ainda pagar fiança para voltar à liberdade. "Hoje estou totalmente mudado e a grande lição que eu aprendi no programa foi contar até 10 nos momentos de nervosismo e a controlar o instinto", revela.
R. ficou casado durante três anos e reconhece que o alcoolismo contribuiu para as discussões. "Eu bebia todo dia e quando chegava em casa qualquer palavra era motivo para atrito", confessa.
Separado há um ano, o carpinteiro é proibido de se aproximar da ex-companheira por medidas protetivas da Justiça, mas espera ganhar uma segunda chance e reconstruir a família. "Hoje não posso nem subir no mesmo ônibus em que ela está. Mas é claro que eu gosto dela e gostaria de voltar. Mas agora isso depende dela", ressalta.
Desabafo
"Lá foi o único lugar em que eu fui ouvido. A gente pode desabafar e isso me ajudou muito." O relato é do vendedor E.C.R., de 33 anos, que foi encaminhado ao Projeto Caminhos após o fim do casamento de 12 anos e de vários desentendimentos com a esposa.
Ele foi intimado pela Justiça após a ex-mulher registrar um boletim de ocorrência. "As nossas brigas e ofensas eram pelos desgastes do dia a dia, mas nunca houve agressão física", garante. O vendedor relata que a troca de experiências com outros homens foi importante para mostrar que os problemas e as histórias são parecidos e as soluções também.
"No começo fiquei desconfiado. Por que eu tinha que ir e ela não, se nós dois erramos? Mas depois vi que seria bom e aprendi muito", relata E., que já finalizou o programas após 12 sessões.(L.F.C.)





