Roma, 16 (AE) - O jeito continua o mesmo: hábitos simples, descontraído, colorido. Gustavo Kuerten não quer mudar com a fama e fortuna e até entrou para a sala de entrevistas comendo uma banana, como se estivesse passeando. Mas, em nenhum momento, deixou de enfatizar sua nova fase, amadurecida, experiente e falou com decisão sobre as diferenças de o Guga de hoje e do campeão de Roland Garros, há dois anos. "Estes dois anos me fizeram muito mais maduro", garantiu Kuerten. "Vejo que muita coisa está diferente", prosseguiu. "Estou jogando bem melhor, sei como poupar energias, como recuperar a confiança na partida e como jogar os pontos importantes da partida." Esta transformação Gustavo Kuerten atribui ao empenho de seu treinador Larri Passos. Guga chegou inclusive a dedicar o título ao técnico, que o recuperou depois de um período de cansaço, após ter vencido em Montecarlo, e abriu condições para disputar e vencer o torneio em Roma.
"Posso dizer que quando entro na quadra, já sei tudo que devo fazer", afirmou Kuerten. "Aprendi novos golpes e tenho mais experiência", prosseguiu. "No passado joguei sólido e mostrei que poderia ser um top ten, agora sei que sou um top ten." Maduro, Gustavo Kuerten espera agora manter a forma para Roland Garros, que começa na próxima segunda-feira em Paris. O tenista brasileiro vem de bons resultados há dois meses e disse que precisa descansar um pouco para não desperdiçar a chance de uma boa campanha no Aberto da França. "Sei que estou na melhor forma da minha carreira", disse Kuerten. "Ganhei confiança nos últimos dois meses e espero muito que possa estar em boa forma para Roland Garros."
Elogios - O australiano Patrick Rafter tinha tudo para estar completamente decepcionado com sua derrota na final do Super 9 de Roma. Afinal, estava a apenas um passo de conquistar a liderança do ranking mundial, uma posição que nenhum outro jogador de seu país alcançava desde de John Newcombe, em 1974. Mas o bicampeão do US Open, Rafter, estava até satisfeito e guardou os maiores elogios para a atuação de Kuerten na final. "Ele (Kuerten) estava demais nesta final", disse Rafter. "Fiz tudo o que podia", prosseguiu. "Talvez se estívessemos jogando numa quadra rápida, poderia ter virado o resultado, mas no saibro, Kuerten é o melhor e não posso dizer que vai ganhar Roland Garros, mas é, sem dúvida, um dos maiores candidatos." Rafter disse que foi "inacreditável", para um jogador de quadras rápidas, como ele, chegar a Roma e disputar o título, com chances de tornar-se número 1. Ficou satisfeito com os resultados alcançados e diz que vai para Roland Garros ainda mais motivado a realizar uma boa campanha e, quem sabe, terminar o Aberto da França, como líder do ranking mundial.

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