Interlaken, Suíça, 10 (AE-DOW JONES) - O economista Paul Krugman, do Massachusetts Institute of Technology, disse que o desempenho do PIB do Japão no primeiro trimestre não sinaliza necessariamente que a economia do país bateu no fundo do poço. "Obviamente, o dado é uma boa notícia, significa que o pacote de estímulo fiscal do Japão está funcionando melhor do que pensávamos", disse Krugman a Laura Dietrich, da agência Dow Jones, em Interlaken, Suíça, onde participa de uma conferência sobre economia.
"É possível que o estímulo leve a uma recuperação auto-sustentada. Mas também é verdade que os japoneses tiveram anteriormente repiques de crescimento que resultaram em pouca coisa. Em meados de 1996 vimos um tipo semelhante de crescimento que se mostrou limitado a uma única vez", disse Krugman. O Japão anunciou hoje que o PIB cresceu 1,9% no primeiro trimestre de 1999 sobre o último trimestre de 1998 e cresceu 7,9% em termos anualizados.
O professor do MIT considera que o crescimento em si não é surpreendente, embora o dado seja maior do que ele havia antecipado. "O atual estímulo fiscal do Japão é o maior já realizado em tempo de paz, portanto algum crescimento não é muito surpreendente", afirmou Krugman. "Mas é do número muito maior que eu suspeitaria. Nenhum dos indicadores informais do desempenho da economia japonesa sugere algo como o divulgado. Ainda precisamos ver quanto do dado se deve à flutuações em estoques. Um trimestre é apenas um trimestre", afirmou.
A recuperação do Japão reside no ressurgimento do consumo privado e numa recuperação dos gastos em investimentos privados. "O Japão está numa posição difícil porque, no momento, manter cash é mais atraente do que investir", disse Krugman. "Os empréstimos devem ser feitos mais atraentes, o que sugere que o governo deveria criar uma inflação de 3% a 4% (ao ano). Mas o Japão ainda não quer fizer isso".
Indicando que o Japão pode estar longe da recuperação, Krugman disse que "a economia japonesa está tão deprimida em relação ao potencial quanto estavam os EUA em 1982. Os EUA experimentaram um ano interio de crescimento de 6% no primeiro ano de recuperação. Portanto, a menos que o Japão comece a mostrar um desempenho como este eu não chamaria o que ocorre de uma recuperação".
Perguntado sobre os relatos de que o Banco do Japão estaria fazendo uma intervenção para limitar a valorização do iene, Krugman disse: "isto é muito bom, eles deveriam fazer isso". O dólar chegou a cair hoje a 117,63 ienes depois da divulgação do PIB do Japão.

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