Moscou, 08 (AE-ANSA)- O governo russo classificou hoje como "absolutamente sem fundamento" rumores sobre um suposto mal-estar sofrido pelo presidente Boris Yeltsin durante os funerais do rei Hussein em Amã, para onde viajou contrariando ordens médicas.
O presidente russo não passou ante o caixão do rei Hussein, como fez grande parte dos chefes de Estado presentes à ceremônia. Segundo os rumores, ele teria tido de ser atendido às pressas num hospital da capital jordaniana.
Yeltsin só fez uma breve aparição ao descer as escadas do avião que o levou à capital jordaniana ajudado por sua mulher, Naina.
Entretanto, aos jornalistas que perguntavam sobre sua saúde, Yeltsin afirmou que não podia "reclamar" sobre seu estado físico.
Yeltsin foi a Amã apesar de seus médicos terem aconselhado a não fazer uma viagem de avião nos próximos três meses, pois ainda se recupera de uma úlcera gástrica que o obrigou a passar duas semanas no hospital.
O presidente russo não quis que seus problemas de saúde - ele tem cinco pontes de safena - o impedissem de se unir aos "grandes" do mundo para render uma última homenagem ao monarca hachemita.
A presença de Yeltsin em Amã foi também um claro sinal de força para dar prova de que pode continuar na frente do poder diante dos rumores que o dão como "agonizante", tanto física como politicamente, afirmou-se em Moscou.
A viagem a Amã foi a primeira realizada por Yeltsin ao exterior desde outubro último, quando problemas de saúde o obrigaram a encurtar sua estada oficial na ex-república soviética de Usbequistão.
Entretanto, o desafio às ordens médicas foi frutífero para Yeltsin, que à margem da cerimônia fúnebre encontrou-se com os principais líderes mundiais.
Yeltsin reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, o francês Jacques Chirac, o italiano Oscar Luigi Scalfaro, o secretário-general da ONU, Kofi Annan, o rei da Espanha, Juan Carlos, o líder palestino Yasser Arafat e, naturalmente, o novo rei da Jordânia, Abdullah.
Dadas as circunstâncias, as reuniões foram breves e o momento não facilitou o tratamento dos temas, explicou um porta-voz do Kremlin.
A mesma fonte detalhou que com Clinton, Yeltsin falou sobre "temas internacionais da atualidade e relacões bilaterais", enquanto que com Chirac tratou sobre "a situação na ex-Iugoslávia e os empréstimos que a Rússia espera conseguir com o Fundo Monetário Internacional".
Yeltsin saiu há uma semana do hospital e tinha que passar os próximos dias se convalescendo na clínica Barvikha, nos arredores de Moscou.
Entretanto, na semana passada ele foi várias vezes de surpresa ao Kremlin para colocar-se a par dos assuntos do país.

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