Kremlin desviou empréstimo do FMI antes do colapso de agosto de 1998
Moscou, 15 (AE-AP) - Um empréstimo de US$ 4,8 bilhões do FMI à Rússia foi parar em bancos, pertencentes a pessoas influentes junto ao governo, e não foi utilizado para estabilizar a economia russa como era a sua finalidade, disse hoje o promotor suspenso Yuri Skuratov, que tem denunciado vários casos da suposta corrupção nas altas esferas do Kremlin. No entanto, Skuratov está impossibilitado de investigar essas denúncias desde que foi suspenso pelo presidente Boris Yeltsin em março. O promotor sustenta que houve mal manejo de um empréstimo concedido pelo FMI em junho de 1998 para sustentar a debilitada economia russa - que entrou em colapso em agosto. A concessão do empréstimo tinha como finalidade fornecer recursos para que o Banco Central russo pudesse sustentar a cotação do rublo diante da pressão dos investidores internacionais, que retiravam seu dinheiro dos mercados emergentes. Skuratov não disse se alguma lei foi violada. Porém, seus comentários insinuam que o governo usou os fundos do FMI para ajudar bancos poderosos, de amigos influentes, ao invés de sustentar a economia em geral. De acordo com Skuratov, 18 bancos russos compraram dólares do Banco Central após a chegada do empréstimo em julho de 1998 e antes do colapso financeiro do mês seguinte. Os bancos, como a maioria das pessoas e empresas, queriam ter seus ativos em dólar por medo de uma maxidesvalorização do rublo. O promotor sustenta que apenas uma pequena parte do empréstimo - US$ 471 milhões - foi utilizada para sustentar o regime cambial nas casas de câmbio interbancárias de Moscou, onde são negociadas as moedas fortes. Os demais US$ 3,9 bilhões foram vendidos diretamente aos bancos russos, disse Skuratov, em entrevista concedida ao jornal de língua inglesa Moscow Times. "Não compreendo porque somente usaram US$ 471 milhões para sustentar a moeda, enquanto o resto que chegou à Rússia foi vendido aos bancos comerciais", disse o promotor. Em 23 de julho de 1998, o Banco Central russo recebeu US$ 4,8 bilhões do FMI e vendeu US$ 4,4 bilhões desse total nos dias anteriores ao colapso financeiro de 17 de agosto, afirmou Skuratov. O promotor assegurou que o Bank of New York, no centro de uma investigação internacional de lavagem de dinheiro, participou das transferências de dinheiro do Banco Central russo para as contas de bancos comerciais no ocidente. O escritório do FMI em Moscou negou-se a comentar as acusações. Skuratov investigava os casos de corrupção no Kremlin quando Yeltsin exigiu sua renúncia. Contudo, como o parlamento se negou a aceitar a renúncia de Skuratov, Yeltsin optou por suspendê-lo. No entanto, o próprio promotor está sob suspeita de ter aceitado os serviços de prostitutas em troca de encerrar as investigações criminais.





