Kosovo ofusca importância de eleições israelenses Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 30 (AE) - Oculto por causa da loucura de Kosovo, o Oriente Médio sumiu das páginas dos jornais. Apesar disso, esta zona está entrando num período arriscado, devido às eleições israelenses de 17 de maio. E, de repente, aumenta o tom entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e seu inimigo íntimo, o chefe palestino, Yasser Arafat.
Por enquanto, o líder israelense é quem soube tirar proveito desta campanha eleitoral. Inicialmente, os palestinos deveriam proclamar o nascimento de um Estado palestino independente no dia 4 de maio, isto é, em plena campanha eleitoral israelense. Mas, depois de três dias de debates, o Conselho Central da Organização de Libertação da Palestina (OLP), reunido em Gaza, concordou em adiar esta proclamação.
Porque este recuo? Por uma parte, os israelenses, e particularmente Netanyahu, teriam considerado esse gesto como uma espécie de declaração de guerra. Eles advertiram que, nesta hipótese, o processo de paz, iniciado em 1993 pelos acordos de Oslo, seriam considerados anulados por Israel.
A estas ameaças de Netanyahu se acrescentaram os conselhos das grandes potências, sobretudo dos Estados Unidos, que pediram a Arafat para não perturbar a campanha eleitoral de Israel porque isso ameaçaria incendiar a região.
Este foi portanto um ponto marcado por Netanyahu. E o líder israelense não parou por aí. Ele tira vantagem da atual distração das potências (embaraçadas na confusa questão de Kosovo) para fazer avançar seus peões, multiplicando a criação de colônias judaicas na Cisjordânia.
Trata-se de criações selvagens. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Ariel Sharon, herói dos colonos israelenses, deu os seus conselhos: os colonos se apossam de uma colina e instalam ali veículos ou tratores, cavam um poço, fazem uma estrada e plantam no local uma bandeira israelense. Surge então uma nova colônia. No último semestre, foi constatada a criação de vinte colônias.
Não há dúvida que o conjunto desses assentamentos judaicos cobre uma superfície modesta - 5% apenas das terras cisjordanianas - mas estes 5% constituem um rosário de terras israelenses que pouco a pouco prepara uma "anexação quase clandestina"de terras da Samaria e da Judéia por parte do Estado de Israel.
É verdade que os palestinos, muito fracos, não souberam opor uma barreira a essas novas "colonizações". E, como cederam igualmente no caso da proclamação de um Estado palestino independente, concordando em adiar o anúncio para mais tarde, muitos em Jerusalem e mesmo em Gaza, pensam que os israelenses estão em posição defensiva. É por isso que, em Gaza, as autoridades palestinas esclareceram que o adiamento aceito para a proclamação do Estado da Palestina era apenas conjuntural e que o princípio desse Estado continua intocável: "O Estado da Palestina, tendo Jerusalem Oriental por sua capital, é um fato estabelecido, fundado sobre o direito fundamental dos palestinos" (alusão á resolução 181 das Nações Unidas em 1947).





