Londres, 06 (AE-REUTERS) Os líderes albaneses étnicos deverão assinar unilateralmente amanhã (07) o acordo de paz para Kosovo, uma semana antes da segunda rodada de negociações com os sérvios, marcada para dia 15 em Paris, informou hoje o republicano Bob Dole, ex-senador e ex-candidato presidencial americano.
Como enviado especial do presidente Bill Clinton, Dole encontrou-se ontem em Skopje (capital da Macedônia) com dirigentes albaneses étnicos - entre os quais o moderado Ibrahim Rugova. "Eles (os kosovares) me prometeram que assinarão o documento no domingo (amanhã)", disse Dole, que se reuniu na capital britânica com a secretária de Estado americana, Madeleine Albright.
"Conseguimos um bom progresso nas negociações e os albaneses étnicos deixaram claro, em várias ocasiões, que cumprirão sua palavra", insistiu Dole. "Não se trata de um acordo perfeito, mas é o melhor que pudemos obter."
Antes de debater a situação nos Bálcãs com seu colega britânico Robin Cook, Albright manteve longo contato com o principal mediador americano do processo de paz em Kosovo, o embaixador Christopher Hill, que manteve uma posição mais cautelosa. Para ele, apesar dos progressos obtidos nas últimas horas, restam ainda grandes obstáculos a transpor, principalmente por parte dos sérvios.
Belgrado rejeitou ontem o esboço do acordo, apresentado por Hill. Segundo a agência noticiosa Tanjug, o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, classificou o documento de "altamente prejudicial" aos intereses da Iugoslávia (formada pelas repúblicas da Sérvia e Montenegro). "Na prática, esse acordo prevê a independência de Kosovo com garantia das forças militares da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte)", avaliou a agência oficial iugoslava, citando declaração de Milosevic, que continua concentrando tropas e equipamentos militares na fronteira de Kosovo.
O presidente iugoslavo opõe-se terminantemente à presença de uma força internacional de paz de 30 mil homens em Kosovo - província sérvia cuja população em sua maioria esmagadora (98%) é de origem albanesa e religião muçulmana. Esse é o principal veto iugoslavo ao acordo, que prevê uma grande autonomia política e administrativa para a província sem separá-la, territorialmente, da Sérvia e da Iugoslávia.
Contudo, os Estados Unidos e países da União Européia (principalmente França e Grã-Bretanha) acham fundamental a presença das tropas. "Sem essa providência, será impossível a adoção das difíceis fases do acordo", ressaltou hoje o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin. De qualquer forma, os EUA e a Otan entendem que a assinatura do acordo por parte dos albaneses étnicos vai aumentar consideravelmente a pressão sobre Milosevic.
Hill foi encarregado por Albright de manter na segunda- feira novos contatos com os dirigentes do grupo guerrilheiro Exército de Libertação de Kosovo (ELK), para obter deles garantias de que cumprirão integralmente os termos do acordo. Albright está preocupada com a escalada da violência na província.
Hoje, homens armados metralharam de carro instalações de albaneses étnicos em Pristina, capital de Kosovo, e um restaurante albanês, matando uma pessoa e ferindo cinco. Os incidentes foram considerados represália dos sérvios por um atentado à bomba no dia anterior num restaurante sérvio da cidade de Pec, que feriu gravemente seis pessoas.

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