Kohl retorna ao parlamento pela primeira vez desde escândalo17/Mar, 17:33 Berlim, 17 (AE-AP) - Helmut Kohl apareceu hoje (17) no parlamento pela primeira vez desde 24 de novembro quanto admitiu envolvimento num escândalo financeiro que ameaça seu legado, e aproveitou para sua volta um aniversário lembrando seu maior feito: a reunificação da Alemanha. Apesar de que ele não estivesse nem escalado para falar, todas as atenções se concentraram no estadista que liderou a Alemanha por 16 anos quando ele entrou no plenário e sentou-se na sua cadeira na terceira fila - uma fila atrás da usual, depois que as posições foram rearranjadas por causa das mudanças na liderança de sua União Democrata-Cristã (CDU) provocadas pelo escândalo. Retornando numa comemoração - ao invés de em uma sessão de debates - Kohl evitou críticas diretas de membros do parlamento por causa do escândalo financeiro. Ele foi recebido friamente por seus companheiros de partido, alguns dos quais apertaram a mão dele, mas tentavam claramente fazer um momento constrangedor parecer apenas como mais um dia no Reichstag. Kohl abriu mão da presidência de honra da CDU, mas ainda mantém seu mandato no Bundestag, a Câmara baixa do parlamento alemão. Apesar de pedidos para que também renuncie à sua cadeira, Kohl tem insistido que a manterá para continuar tendo direito à imunidade parlamentar. O ex-chanceler enfrenta investigações tanto criminais como parlamentares em relação ao escândalo, que tem crescido desde que Kohl admitiu ter aceito doações ilegais, pondo à mostra todo um esquema de práticas corruptas da CDU mantido durante os 25 anos da presidência partidária de Kohl. O evento de hoje lembrou a eleição de 18 de março de 1990, a primeira e única eleição parlamentar livre promovida pelos comunistas na Alemanha Oriental, que levou ao poder partidos que prometeram reunificar a dividida nação. As duas Alemanhas voltaram a ser um só poucos meses depois, em 3 de outubro de 1990 - menos de um anos depois da queda do Muro de Berlim. Numa entrevista ao diário Leipziger Volkszeitung, o chanceler Gerhard Schroeder afirmou que os méritos históricos de Kohl "não perdem valor, embora tenham sido descobertos aspectos de sua conduta que não são admissíveis". Mas uma grande maioria dos alemães acha que Kohl deve agora ficar em casa, segundo uma pesquisa publicada hoje mostrando que 73% deles se opõem à volta de Kohl. Enquanto o ex-chanceler tentava lembrar seu passado glorioso, o interminável fluxo de más notícias continuou hoje. Promotores da cidade sulista de Augsburg decidiram processar figuras-chave do caso: o ex-tesoureiro da CDU Walter Leisler Kiep e o traficante Karlheinz Schreiber.

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